Ibovespa em Alta: Teorias do JPMorgan sobre Movimentação da Bolsa Brasileira
O Ibovespa está prestes a encerrar 2025 com uma forte alta, mesmo diante das correções no mercado. O otimismo para o próximo ano é alto, porém, surgem questionamentos sobre os motivos desse avanço. Enquanto alguns apontam para um movimento global de economias desenvolvidas para emergentes, o JPMorgan traz uma teoria diferente: o crescimento inesperado dos ETFs.
Os analistas do banco destacam que, mesmo com um aumento significativo no fluxo estrangeiro em 2025, de cerca de R$ 20 bilhões, esse valor não é o suficiente para justificar a alta de 32% do Ibovespa. Para o JPMorgan, os ETFs estão no centro desse movimento, trazendo novos elementos para explicar a performance surpreendente da Bolsa brasileira.
No universo dos mercados emergentes, os ETFs passivos atraíram cerca de US$ 82 bilhões em 2025, com o Brasil representando aproximadamente 4,5% desse montante, equivalente a cerca de US$ 3,7 bilhões. Os principais ETFs ligados ao mercado brasileiro receberam fluxos de US$ 1,8 bilhão no ano, atingindo o maior nível desde 2019.
Para 2026, o JPMorgan projeta um cenário mais positivo para o fluxo estrangeiro, com uma visão otimista para os mercados emergentes. A expectativa é que a queda na Selic impulsione as ações, embora o banco aponte a volatilidade associada ao ciclo eleitoral como o principal risco para o próximo ano.
Enquanto os ETFs se destacam no cenário internacional, no mercado doméstico, os fundos locais ainda registram resgates. Os dados mostram que fundos de ações e multimercados continuam com saídas líquidas, apesar de relatos de desaceleração nos resgates nos últimos meses.
Em novembro, a indústria de fundos teve uma saída líquida de R$ 16 bilhões, principalmente impulsionada pela renda fixa. No acumulado do ano, o setor apresenta uma entrada de R$ 145 bilhões. Fundos de ações acumulam saídas de R$ 53 bilhões em 2025, enquanto os fundos multimercados registraram uma saída de R$ 885 milhões em novembro, com saldo negativo de R$ 61 bilhões no ano.
A participação de ações no patrimônio total dos fundos se mantém em 7,9%, abaixo da média histórica de 11,2%. Na renda fixa, após seis meses de entradas que somaram R$ 125 bilhões, novembro apresentou uma saída de R$ 7,6 bilhões. O saldo anual, no entanto, permanece positivo em R$ 162 bilhões.
Diante desse cenário, a movimentação dos ETFs se destaca como um dos principais impulsionadores do mercado brasileiro, alinhando-se com a tendência global de investimento nesses produtos. Enquanto o fluxo estrangeiro ganha força, a volatilidade e o ciclo eleitoral se apresentam como desafios para os investidores no próximo ano.