China reage e amplia guerra comercial com os EUA, elevando tensão nos mercados

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China reage e amplia guerra comercial com os EUA, elevando tensão nos mercados

Medidas de Pequim contra empresas navais e o controle sobre minerais críticos elevam tensões com Washington, derrubam bolsas e impulsionam mineradoras de terras raras

Paulo Barros

14/10/2025 06h27

Atualizado 13 minutos atrás

O presidente chinês Xi Jinping participa da segunda sessão plenária do Congresso Nacional do Povo (APN), no Grande Salão do Povo em Pequim, China, em 8 de março de 2025. REUTERS/Tingshu Wang

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A China anunciou nesta terça-feira (14) sanções contra cinco subsidiárias americanas da sul-coreana Hanwha Ocean, ampliando o embate comercial com os Estados Unidos e provocando nova rodada de aversão ao risco nos mercados globais.

O Ministério do Comércio chinês afirmou que as empresas “apoiaram atividades investigativas do governo dos EUA que ameaçam a soberania e os interesses de desenvolvimento da China”. As medidas atingem Hanwha Shipping LLC, Hanwha Philly Shipyard Inc., Hanwha Ocean USA International LLC, Hanwha Shipping Holdings LLC e HS USA Holdings Corp.

As ações da Hanwha Ocean recuaram até 8% na Bolsa de Seul, enquanto papéis de construtoras navais chinesas avançaram. Pequim também sinalizou que poderá adotar novas contramedidas, em resposta à investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre o setor marítimo chinês.

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Como a China pode proibir qualquer país de participar da economia modernaGoverno chinês decretou medida que amplia controle de terras raras, matéria-prima essencial para tecnologia em diversos setores

As sanções se somam à recente série de retaliações bilaterais entre as duas maiores economias do mundo. Nas últimas semanas, a China ampliou controles sobre exportações de terras raras e minerais críticos, enquanto os Estados Unidos reforçaram barreiras tecnológicas e ameaçaram tarifas de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro.

Em entrevista ao Financial Times, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que as medidas de Pequim revelam fragilidade econômica.

“Este é um sinal de como a economia deles está fraca, e eles querem derrubar todo mundo junto”, disse Bessent.

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Segundo ele, a China estaria tentando “exportar sua recessão” ao restringir o fornecimento de insumos industriais essenciais.

Segundo Bloomberg e FT, os EUA consideram contramedidas adicionais, incluindo a exigência de licenças de exportação para softwares críticos destinados ao mercado chinês, o que pode atingir amplos setores de tecnologia.

A nova ofensiva derrubou os futuros do Dow Jones (-0,50%), S&P 500 (-0,80%) e do Nasdaq (-1,06%), mas provocou uma forte disparada nas ações de mineradoras de terras raras.

Os papéis já haviam subido na segunda-feira e ampliaram os ganhos no pré-mercado desta terça, à medida que investidores buscam proteção em empresas ocidentais expostas à cadeia de minerais críticos, hoje dominada pela China, responsável por 70% da produção mundial e 90% do refino desses materiais.

Tensão pré-encontroAnalistas apontam que a disputa tende a se intensificar até o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para o fim de outubro na reunião da APEC, na Coreia do Sul.

De acordo com o JPMorgan, o aumento recente da volatilidade deve provocar vendas automáticas de até US$ 30 bilhões em ações nos próximos dias, à medida que carteiras com metas de volatilidade reduzem sua alavancagem.

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Para o Goldman Sachs, as sanções reforçam que a disputa EUA–China é estrutural, com foco no controle de cadeias tecnológicas e minerais estratégicos.

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Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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