Bolsa brasileira em “bull market”, segundo Santander
De acordo com a estrategista Aline Cardoso, do Santander, a bolsa brasileira entrou em território de “bull market”. Após a forte queda e o noticiário de 5 de dezembro de 2026, o Ibovespa já recuperou cerca de metade dos pontos perdidos naquele dia. Uma das características desse cenário é a capacidade de o mercado absorver surpresas negativas com correções leves.
A estrategista destaca que em períodos “bullish”, investidores tendem a olhar além das manchetes negativas, limitando as quedas e mantendo o ambiente favorável ao risco. A rotação setorial foi evidente na semana passada, com investidores nos EUA redirecionando capital para setores tradicionais e de valor, em detrimento das empresas de tecnologia de alto crescimento e ligadas à inteligência artificial.
No cenário internacional, o Federal Reserve (Fed) cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75%. Essa medida foi vista de forma positiva pelo mercado, que reagiu bem à decisão do Fed de manter a possibilidade de futuros cortes de juros em 2026. Já no Brasil, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15,0%, sinalizando cautela e preservando uma postura restritiva.
Além disso, a projeção inflacionária para o Brasil no segundo trimestre de 2027 caiu para 3,2%, indicando um cenário mais favorável. A equipe macro do Santander destaca que um corte na taxa de juros em janeiro ainda está em discussão, dependendo da melhora do cenário macroeconômico.
Outro ponto relevante foi a confirmação de que o Fed começará a comprar títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo, com o objetivo de gerenciar a liquidez do mercado. Essa mudança é vista como favorável para os ativos de mercados emergentes e brasileiros, uma vez que historicamente a expansão do balanço do Fed tende a enfraquecer o dólar e incentivar investidores a buscar ativos de maior risco.
Com avaliações atrativas nos mercados emergentes, capital saindo das ações de tecnologia dos EUA e um cenário de posicionamento leve, o momento atual apresenta oportunidades para investidores. Aline acredita que essa conjuntura amplifica os efeitos positivos para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, que tem sido visto como uma oportunidade de valor dentro desse contexto.
Em resumo, o cenário atual destaca a entrada da bolsa brasileira em um período de “bull market”, impulsionada por fatores internos e externos que têm impactado positivamente o mercado de capitais e a confiança dos investidores.