Acordo de falência no Brasil resulta em prejuízo de R$ 20 bilhões para bancos

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Bancos Brasileiros Registram Perda de R$ 20 Bilhões em Acordo de Falência com Odebrecht

Cinco bancos brasileiros, incluindo Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES, contabilizaram perdas de R$ 20 bilhões como parte de um acordo de falência com a Novonor SA (antiga Odebrecht). O acordo envolve a aceitação de derivativos com recuperação incerta em troca dos empréstimos inadimplentes concedidos ao conglomerado falido.

O acordo foi anunciado após cinco anos de negociações, sendo que os empréstimos serão vendidos para um fundo gerido pela IG4 Capital Investimentos SA, especializada em reestruturação de dívidas. Os empréstimos inadimplentes foram garantidos pelas ações da Braskem SA, empresa pertencente à Novonor, que serão apreendidas e transferidas para outro fundo da IG4.

Segundo fontes anônimas, os bancos terão o direito de receber parte dos recursos quando a IG4 vender as ações da Braskem no futuro por meio dos derivativos acordados. No entanto, os credores da Novonor não terão participação na Braskem.

Provisões e Expectativas

Para vender um empréstimo inadimplente no Brasil, os bancos precisam provisionar o valor integralmente e baixá-lo como perda, de acordo com as regras do Banco Central. Ao longo dos anos, os credores vinham aumentando as provisões para perdas com os empréstimos da Novonor, o que indica que as perdas já estão contabilizadas.

Caso as ações da Braskem valorizem devido à reestruturação planejada pela IG4 ou a melhorias no setor petroquímico, os bancos poderão recuperar parte das perdas. A negociação do acordo envolve também a possibilidade de a IG4 adquirir toda a dívida da Novonor lastreada em ações da Braskem.

Contexto da Falência e Negociações

A Novonor, antiga Odebrecht, entrou com pedido de recuperação judicial em 2019, buscando reestruturar R$ 98,5 bilhões em dívidas. A falência foi marcada por dificuldades em se recuperar das consequências da Operação Lava Jato, que impactou fortemente a indústria da construção civil no Brasil.

Desde então, bancos como BNDES e Itaú têm pressionado para que a Novonor venda sua participação na Braskem para pagar a dívida. O acordo firmado agora com a IG4 prevê um período de exclusividade de 60 dias para negociar uma transação envolvendo as ações da Braskem, que, se concluída, daria à IG4 o controle da empresa petroquímica.

Após atingir um valor de R$ 20,5 bilhões em setembro de 2021, a participação de 38% da Novonor na Braskem agora está avaliada em cerca de R$ 2,3 bilhões, mostrando a depreciação do ativo ao longo do tempo.

Conclusão

O acordo de falência da Novonor com os bancos brasileiros representa um desfecho importante em um processo conturbado de negociações. Com a venda dos empréstimos inadimplentes e a transferência das ações da Braskem para a IG4, abre-se a possibilidade de recuperação de parte das perdas pelos bancos envolvidos.

A reestruturação da dívida e a potencial venda das ações da Braskem sinalizam um novo capítulo para a Novonor e a IG4, com impactos significativos no cenário financeiro e empresarial do Brasil. A evolução da situação será acompanhada de perto pelos mercados e investidores, considerando os desdobramentos futuros dessa transação.

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