Vale: o que importa mais, momentum ou valuation? Como a XP olha as ações VALE3

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Analistas da XP veem bom momentum, mas seguem com recomendação neutra para as ações da mineradora

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Lara Rizério

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05/03/2026 13h54 •

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As ações da Vale (VALE3) saltaram cerca de 80% em dólares nos últimos doze meses, em forte tendência apoiadas pelo movimento amplo de debasement e pela rotação EUA–mercados emergentes, um cenário no qual a mineradora se destaca como grande beneficiária de fluxos estrangeiros. Contudo, na última semana, vale destacar que VALE3 caiu cerca de 7,5%, em meio ao ambiente de aversão a risco.

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Com base nisso, a XP Investimentos aponta, o que importa mais: o momentum ou o valuation?

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Operacionalmente, Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP que assinam o relatório, veem a tese de cobre como cada vez mais crível, com aumento de produção e projeções de preços mais saudáveis ajudando a compensar a percepção de um ambiente estruturalmente mais fraco para minério de ferro.

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Neste sentido, a XP tem preço-alvo para o fim de 2026 de US$16,50/ADR (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York), ou potencial de valorização de apenas 3%, implicando em um múltiplo de valor da empresa sobre lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EV/Ebitda) esperado para 2027 de cerca de 8,2 para metais básicos e 4,9 vezes para o minério de ferro.

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“Em valuation, contudo, os yields absolutos da Vale não são particularmente empolgantes, embora ainda negociem mais barato versus os pares (FCF yield, ou Rendimento do Fluxo de Caixa Livre, esperado para 2026 de 7,2%, versus 4–5%)”, apontam os analistas.

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Na visão da XP, o upside adicional para as ações é limitado, a menos que o crescimento do cobre supere expectativas e/ou os preços de minério de ferro não recuem como assumimos no nosso cenário-base.

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Dito isso, embora reitere recomendação neutra por razões de valuation (notadamente após a forte reclassificação do último ano), reconhece o momentum mais favorável para o papel, com investidores potencialmente considerando uma posição vendida em um ativo exposto a minério de ferro como hedge para a exposição de commodities da Vale em um cenário de minério mais fraco.

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Os analistas apontam que as ações da Vale entregaram um rali expressivo apoiado pelo movimento mais amplo de debasement e pela rotação EUA–Emergentes, um pano de fundo no qual a Vale tem sido clara beneficiária de fluxos estrangeiros. Esse desempenho contrasta com o cenário mais fraco para minério de ferro, mas o momentum segue sustentado por (i) fluxos estrangeiros persistentes para o Brasil, (ii) atratividade relativa versus o pares e (iii) uma crescente rotação de investidores para ativos expostos ao cobre.

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A expansão no cobre como um catalisador de crescimento cada vez mais crível. “Vemos a tese de cobre da Vale como mais tangível, com produção crescente e projeções de preço mais saudáveis ajudando a compensar a percepção de um ambiente estruturalmente mais fraco para minério de ferro”, avalia.

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Já o minério de ferro permanece como um peso, com a XP projetando que o minério de ferro deva recuar de cerca de US$ 100/t (tonelada) em 2026 para cerca de US$90/t a partir de 2028.

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“No curto prazo, os fundamentos seguem fracos, com estoques elevados na China, menor momentum da demanda de aço e sentimento atrasado em relação ao movimento de outros metais — estruturalmente, novas ofertas greenfield e o ciclo declinante do aço na China mantêm a perspectiva de longo prazo contida”, avaliam os analistas.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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