“Super Quarta” com Copom e Fed pode levar Ibovespa a novas máximas históricas?

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Decisões simultâneas de Fed e Copom podem destravar nova rodada de cortes de juros, fortalecer fluxo estrangeiro e impulsionar ações mais sensíveis à queda da Selic, abrindo espaço para o Ibovespa renovar recordes

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Lara Rizério

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IA InfoMoney

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28/01/2026 06h00 •

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Atualizado 11 horas atrás

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Os presidentes do Fed, Jerome Powell e do BC, Gabriel Galípolo (Montagem do InfoMoney/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil e REUTERS/Tom Brenner)

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A Super Quarta — dia em que o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central do Brasil (BCB) decidem juntos a trajetória dos juros — chega em um momento em que o Ibovespa já testa topos históricos e o mercado se pergunta: ainda há fôlego para novas máximas?

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Nas últimas sessões, a bolsa brasileira voltou a subir com força, apoiada sobretudo em fatores domésticos. O IPCA-15 abaixo do esperado reforçou as apostas de corte de juros à frente, derrubou a curva de juros futuros e reacendeu o apetite por risco. “Com o IPCA-15 mais baixo, a aposta de corte de juros ganhou força. Os juros futuros estão caindo e impulsionando as ações”, resume Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial.

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Segundo ele, bancos foram na última terça as maiores contribuições em pontos para a alta do índice, mas small caps e empresas mais endividadas lideram em termos percentuais — caso de Localiza (RENT4) e Assaí (ASAI3) — justamente por serem mais sensíveis ao custo de capital. “Depois de alguns dias em que a liderança vinha de empresas favorecidas pelo cenário geopolítico internacional, hoje a alta está muito mais ligada a fatores domésticos”, diz.

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O que está em jogo na Super QuartaPara esta quarta-feira (28), o mercado trabalha com manutenção das taxas básicas de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O que vai definir o humor dos mercados, porém, não é o número em si, mas o tom dos comunicados.

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Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos, lembra que o Ibovespa saiu de 166 mil pontos, superou os 180 mil pontos e segue operando em máximas históricas embalado por dois fatores: fluxo estrangeiro e expectativa de que o Copom sinalize a proximidade do início do ciclo de cortes.

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“O mercado já espera que [Gabriel] Galípolo [presidente do BC] indique um corte para a reunião de março. A curva de juros vem fechando em todos os vencimentos, e o cenário externo tem ajudado, com um dólar mais fraco e entrada de estrangeiros”, afirma.

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BC já tem condições de começar a cortar a Selic nesta quarta, defende BofABanco destaca desaceleração da inflação, melhora das expectativas e política monetária ainda restritiva como motivos da visão – que está entre as mais ‘dovish’ do mercado

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No front internacional, ela destaca que o Federal Reserve também deve manter juros, mas sob um ambiente mais ruidoso: críticas a Jerome Powell [atual presidente do Fed], rumores de novo shutdown nos EUA e intervenções de Donald Trump sobre câmbio e parceiros comerciais. “Nos EUA, os dados seguem mistos e a moeda americana em tendência de desvalorização, o que ajuda emergentes. A manutenção vem em um contexto de conflito político com o Banco Central e tensões com outras economias”, diz Bruna.

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Como a decisão pode mexer com o IbovespaPara Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, um comunicado mais dovish — isto é, que reforce a ideia de cortes de juros próximos — pode ser o gatilho para o Ibovespa renovar máximas.

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“Se houver sinais de proximidade dos cortes tanto no BCB quanto no Fed, isso tende a impulsionar a bolsa, sobretudo empresas mais sensíveis a juros: setores cíclicos, bancos e companhias alavancadas”, explica.

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Hoje, boa parte do mercado espera que o primeiro corte da Selic ocorra em março, com uma parte menor apostando em abril.

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O cenário negativo, por outro lado, seria um comunicado mais duro, que sinalizasse manutenção dos juros por todo o primeiro semestre. “Um texto distante disso, sugerindo cortes muito mais à frente, pode gerar correção na bolsa, até por questão de fluxo. O custo de oportunidade permaneceria muito elevado, travando mais valorização depois dessa semana tão forte”, afirma Perri.

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No caso do Fed, Perri vê menor probabilidade de um sinal imediato de corte já na reunião seguinte, mas lembra que qualquer mudança na precificação do início e da profundidade do ciclo nos EUA “mexe o mundo inteiro” — e, portanto, também o Brasil. “É a perspectiva de juros menores lá fora que sustenta o movimento de rotação de capital da renda fixa americana para mercados emergentes”, diz.

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Política entra no radar, mas não é o catalisador principalEnquanto o exterior oscila sob o impacto de declarações de Trump — como a ameaça de tarifas de 10% a 25% envolvendo a Groenlândia —, o Brasil tem andado na contramão, em parte graças a um ruído político doméstico favorável ao mercado.

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Leonardo Santana, sócio da Top Gain, aponta que a autorização de visita de Tarcísio de Freitas a Jair Bolsonaro na Papuda reacendeu rumores de uma chapa Tarcísio–Michelle Bolsonaro em 2026, o que anima o investidor. “O mercado não demonstra entusiasmo com Flávio Bolsonaro, visto como nome mais polêmico e com histórico limitado. Já Michelle tem forte apelo simbólico, e Tarcísio é percebido como gestor competente e bem visto pelo mercado”, diz.

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Segundo Santana, a simples especulação dessa configuração — Tarcísio como cabeça de chapa, Michelle como vice e Bolsonaro no papel de fiador político — tem sido suficiente para melhorar o humor, em um momento em que o Ibovespa rompe novamente sua máxima histórica.

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Super Quarta pode destravar nova pernada de altaO Ibovespa chega à Super Quarta nas máximas históricas de fechamento, mas não necessariamente esgotado. O gatilho para renovação de topos está menos no número da taxa e mais nas entrelinhas dos comunicados.

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Se o BC do Brasil e Fed confirmarem o roteiro de manutenção, mas entregarem sinais claros de que o ciclo de queda de juros se aproxima — especialmente no Brasil —, o mercado pode ganhar combustível extra para uma nova pernada de alta, reforçado por:

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IPCA-15 mais benigno

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Dólar mais fraco no mundo

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Fluxo estrangeiro ainda positivo

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Aposta em corte de Selic a partir de março

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Se a sinalização do Copom vier na direção esperada, esse movimento tende a se espalhar para:

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Cíclicos domésticos

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Small caps

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Empresas alavancadas

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Setores como shopping centers, construção, varejo e educação

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Por outro lado, um discurso mais duro, que empurre para frente o início dos cortes, pode ser o pretexto para uma realização após semanas de forte valorização.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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