As ações da Sabesp (SBSP3) caíram aproximadamente 7% este ano, despertando a atenção dos investidores para os baixos níveis do Sistema Cantareira, o principal reservatório de água do estado de São Paulo, e as possíveis consequências para os volumes e receitas da companhia.
O Sistema Integrado Metropolitano, que aglutina o Cantareira e mais seis reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, está atualmente em 29,7% de sua capacidade, o que representa um aumento de 0,5%. No entanto, especialistas ainda consideram a situação do abastecimento como crítica, alertando para a possibilidade de medidas mais severas, como o racionamento de água.
O banco JPMorgan avalia que a queda nas ações da Sabesp já reflete um cenário pessimista em relação à escassez de água. Mesmo diante dos riscos, os analistas mantêm a recomendação de compra para os papéis da empresa. O preço-alvo estipulado é de R$ 160, representando um potencial de valorização de 29% em relação ao fechamento do mercado na última sexta-feira (16).
Em meio às projeções, o JPMorgan destaca que a queda relativa das ações da Sabesp é cerca de 10% inferior ao desempenho do Ibovespa no início do ano.
Segundo o banco, mesmo em um cenário extremo onde não haja compensação financeira, o impacto estimado da queda nos reservatórios seria de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, considerando uma situação semelhante a 2014.
O JPMorgan também elaborou modelos para estimar os impactos da quantidade de chuva no Cantareira e no sistema integrado de reservatórios. A conclusão é que, mantendo a afluência hídrica em 75% da média histórica, os reservatórios se manteriam acima de 20% de capacidade, sem necessidade de medidas extras de economia de água.
Além disso, o banco ressalta que a Sabesp tem direito a compensações por choques de volume e custos, o que limita a queda das ações. Investimentos em infraestrutura hídrica também têm reduzido a dependência do Sistema Cantareira, incluindo projetos como a transposição do Paraíba do Sul, que aumentou a oferta de água em cerca de 20%.
Após ser privatizada em julho de 2024, a Sabesp estabeleceu metas ambiciosas, como alcançar 100% de cobertura de água e esgoto até 2029. Com cerca de R$ 66 bilhões previstos em investimentos, a empresa passou a adotar um regime regulatório mais pró-mercado, cortando custos, ampliando concessões e melhorando a governança.
Negociando próximo de 1 vez EV/RAB esperado para 2026, a Sabesp mantém desconto significativo em relação a outras distribuidoras e empresas integradas de utilities no Brasil, o que respalda a visão otimista do JPMorgan em relação à empresa.
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