Renner e Alpargatas: ações não empolgam, apesar de bons resultados; o que esperar?

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Renner registrou lucro líquido de R$ 552,6 milhões no quarto trimestre de 2025, enquanto a Alpargatas lucrou R$ 197 milhões

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Lara Rizério

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06/03/2026 12h21 •

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Atualizado 17 minutos atrás

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Renner (Foto: Bloomberg)

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As ações de varejistas registram uma sexta-feira (6) de volatilidade, entre os resultados e o cenário geopolítico que impulsionam os juros e afetam negativamente os ativos do setor.

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A Lojas Renner (LREN3), que registrou um bom resultado, viu sua ação em alta na abertura, mas logo passou a alternar entre perdas e ganhos, enquanto Alpargatas (ALPA4) e Grendene (GRND3) tinham baixas mais expressivas.

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Às 12h10 (horário de Brasília), os ativos LREN3 tinham leve queda de 0,34% (R$ 14,67), enquanto Alpargatas tinha baixa de 5,33% (R$ 12,43) e Grendene caía 6,92% (R$ 4,57).

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Lojas Renner (LREN3)

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A Lojas Renner registrou lucro líquido de R$ 552,6 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 13,4% em relação a igual período de 2024. No acumulado do ano, o lucro somou R$ 1,4 bilhão, avanço de 21,8% na comparação anual.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado total atingiu R$ 1,1 bilhão no trimestre, crescimento de 9% em relação ao quarto trimestre do ano anterior. A margem Ebitda avançou 1,1 ponto porcentual, para 25,6%. No ano, o indicador somou R$ 3,1 bilhões, alta de 20,3%.

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Para o Bradesco BBI, os resultados foram ligeiramente melhores que o esperado no 4T25, com desempenho operacional superior às estimativas internas, ainda que o lucro líquido ajustado tenha ficado praticamente em linha após ajustes referentes a créditos tributários e write-offs (baixas contábeis). As vendas nas mesmas lojas (SSS) avançaram 3,3% em base anual e a receita consolidada cresceu 4,3%, em um ambiente ainda desafiador em termos de tráfego e clima.

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Na visão do BBI, o principal destaque positivo foi a margem bruta do varejo, que atingiu 56,5%, beneficiada por menor atividade promocional, otimização de preços e melhor gestão de estoques. O SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas), apesar de ainda elevado em relação ao período pré-pandemia, apresentou diluição relevante no trimestre. O Ebitda do varejo (desconsiderando créditos tributários) avançou 15,4% em base anual, enquanto a geração de caixa permaneceu sólida, somando R$ 534 milhões no trimestre e R$ 1,3 bilhão nos últimos doze meses, mesmo após desembolsos significativos com dividendos, JCP e recompra.

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A companhia também reforçou seu guidance para 2030, projetando aceleração de crescimento, expansão de lojas, melhora estrutural de eficiência e elevação de margem EBITDA para 18–20%

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O banco vê sinais encorajadores em pontos-chave como margem bruta e disciplina de SG&A —elementos essenciais para retomada de rentabilidade marginal, mesmo diante de um crescimento ainda moderado em vendas de mesmaslojas.

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“O discurso da gestão reforçou confiança na entrega das metas para 2030, sugerindo que os investimentos em infraestrutura dos últimos anos estão começando a gerar ganhos operacionais mais consistentes. Apesar disso, entendemos que o mercado deve seguir exigindo maior constância nos indicadores antes de reduzir o prêmio de risco embutido nos múltiplos”, avalia.

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Para os analistas, a ação negocia a aproximadamente 9,8 vezes o lucro (P/L), no limite superior do setor, o que limita o potencial de alta no curto prazo; por outro lado,o risco de queda é mitigado por um payout entre 9% e 10% que sustenta retornos totais atrativos. “Diante desse equilíbrio entre vetores positivos e limitações de valuation, mantemos recomendação Neutra para o papel”, conclui.

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A XP Investimentos apontou que os resultados foram em linha, com dinâmicas sólidas no varejo, mas despesas mais altas na Realize.

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“Já esperávamos um crescimento leve da receita diante de ventos contrários de clima, o que se confirmou, com Vendas nas mesmas lojas (SSS) em +3%, embora vestuário tenha sido mais forte, em +5% (versus +7% da Riachuelo – RIAA3 – e estabilidade da C&A 0 CEAB3).

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No entanto, observa que a Renner tem a maior produtividade de vendas entre os pares, que cresceu praticamente em linha com os pares (em +7% ano a ano versus C&A em +8% e Riachuelo em +7%) para R$ 17,2 mil/m² e, assim, implica uma evolução nominal mais forte.

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“Além disso, destacamos que a LREN3 apresentou a margem bruta de vestuário mais forte entre os pares, potencialmente refletindo que, finalmente, está colhendo os ganhos do seu novo modelo de negócios, enquanto as despesas de SG&A foram controladas”, apontaram os analistas.

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Na visão da XP, a Renner ajustou sua proposta de valor, apoiada pelo posicionamento de preços adequado, combinado a coleções mais assertivas, o que deve se traduzir em dinâmicas sólidas de crescimento adiante, embora mantendo em mente o seu prêmio de produtividade versus os pares.

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Se a companhia focar em iniciativas de eficiência, como vimos outras empresas fazerem recentemente (por exemplo, RD, Natura e Alpargatas), acredita que ela poderia destravar valor significativo. “No geral, acreditamos que os resultados do 4T reforçam nossa visão construtiva e, assim, reiteramos nossa recomendação de compra”, apontam os analistas.

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Alpargatas (ALPA4)

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A Alpargatas teve lucro líquido de R$ 197 milhões no quarto trimestre ante resultado praticamente nulo um ano antes, com expansão de receita e redução no custo dos produtos vendidos, segundo balanço da dona da marca Havaianas.

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A companhia teve um resultado operacional medido pelo Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos e depreciação, ajustado de R$ 211 milhões ante R$ 36 milhões um ano antes.

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Segundo a XP Investimentos, a Alpargatas reportou resultados fortes no 4T, superando a projeção de Ebitda em 13% por conta de uma receita melhor e de dinâmicas de custos mais favoráveis.

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“Embora já estivéssemos esperando dinâmicas positivas de margem, a ALPA nos surpreendeu novamente tanto no Brasil quanto no exterior, gerando outro beat de Ebitda”, avalia.

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Na visão da XP, as indicações são positivas em todas as frentes, com o Brasil ganhando participação e entregando expansão de margem, e os resultados internacionais melhorando, como deveriam, agora que devem alcançar um modelo comercial mais normalizado.

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Ainda assim, a recente alta do petróleo em meio a tensões geopolíticas acende um sinal amarelo para as dinâmicas de custos rumo ao segundo semestre, enquanto os volumes no Brasil seguem pressionados por dinâmicas macro desafiadoras. Assim, segue com recomendação neutra.

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O BBI destaca que a leitura do trimestre é positiva, reforçando a percepção de que a companhia segue em trajetória consistente de aprimoramento operacional e alocação disciplinada de capital.

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Apesar de o ambiente doméstico ainda apresentar volatilidade e de a execução internacional seguir em processo gradual de maturação, a Alpargatas entra em 2026 com uma estrutura operacional mais robusta —combinando margens brutas em níveis recordes no Brasil, recuperação gradual das operações externas e alavancagem ainda saudável.

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“No entanto, mesmo com esses avanços, o papel negocia próximo a 12 vezes lucro (P/L), no limite superior do intervalo do setor, sugerindo assimetria limitada no curto prazo. Nesse contexto, a manutenção da recomendação Neutra reflete um equilíbrio entre os sinais positivos de eficiência e a falta de catalisadores capazes de destravar valor adicional no curto prazo”, conclui.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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