Raízen: perda de R$ 15,6 bi e volatilidade da ação – o que há por trás dos resultados

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Maior preocupação dos investidores segue sendo alavancagem

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Lara Rizério

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13/02/2026 13h09 •

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Atualizado 7 minutos atrás

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Raízen (Foto: Divulgação)

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As ações da Raízen (RAIZ4), que voltou recentemente para a casa dos centavos, oscilam em meio ao noticiário agitado e sendo potencializadas pelos resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026. Na máxima do dia, o papel foi a R$ 0,70 (+16,67%) e, na mínima, a R$ 0,60 (-10,45%); às 13h (horário de Brasília), RAIZ4 caíam 1,49% (R$ 0,66). Cabe destacar que, dado o baixo valor de face das ações, mudanças de centavos levam a grandes variações percentuais.

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Na noite da véspera, a produtora de açúcar e etanol informou que seu prejuízo líquido aumentou seis vezes para cerca de R$ 15,65 bilhões no período, ante R$ 2,57 bilhões um ano antes.

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O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) caiu 3,3% em relação ao ano anterior, para R$ 3,15 bilhões. A receita líquida ficou em R$ 60,4 bilhões no período de outubro a dezembro, representando uma queda de 9,7% em relação ao ano anterior.

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Segundo a empresa, o desempenho foi prejudicado por um ambiente macroeconômico adverso, incluindo impactos negativos sobre a produtividade agrícola e, mais recentemente, sobre os preços do açúcar e do etanol.

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A Raízen informou ainda que “selecionou assessores financeiros e legais com o objetivo de conduzir uma avaliação de alternativas estruturais que mantenham a sua viabilidade e competitividade no longo prazo e interagir com os investidores”.

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A empresa registrou uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões no período de abril a dezembro, um salto de 43,3% em relação ao mesmo período de 2024.

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Em teleconferência, Nelson Gomes, CEO da Raízen, apontou que a Cosan e a Shell, acionistas controladores da companhia, comprometeram-se em contribuir com capital para uma solução definitiva dos problemas financeiros da empresa.

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A administração afirmou que a Raízen não tem um problema operacional, e que a provisão de R$11 bilhões contabilizada no trimestre reflete seu desafio financeiro.

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A companhia também apontou que está preservando investimentos em plantio e segurança dos canaviais, pois sabe da importância de garantir boas produtividades para a operação, apesar de avaliar cortes em outras áreas não prioritárias.

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“Estamos preservando o capex para plantio e segurança das operações, todos os outros investimentos não prioritários que podem ser postergados, estamos avaliando”, disse o diretor de Relações com Investidores da Raízen, Phillipe Casale, durante teleconferência para comentar os resultados.

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A XP destacou que os resultados da Raízen deveriam frustrar o mercado devido a (i) um número esmagador de ajustes que obscurecem os resultados, (ii) a impossibilidade de definir como deveríamos pensar nos lucros daqui para frente e (iii) a ausência de atualizações sobre o plano de reestruturação do balanço da companhia.

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“Os investidores aguardam ansiosamente maior clareza sobre esse plano, especialmente após agências de notícias destacarem durante o pregão de ontem que a companhia pode buscar proteção contra credores no curto prazo”, destacou.

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A XP ressaltou que os resultados vieram um tanto nebulosos, com a companhia reportando R$ 11,1 bilhões em impairments não caixa e cerca de R$ 8 bilhões em ajustes em seu Ebitda ajustado reportado de R$ 3,1 bilhões (-14% ano a ano) — ajustes que, segundo a companhia, não têm efeito caixa.

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“Seguimos em modo de espera (“wait‑and‑see”), como já estamos há algum tempo. A companhia queimou mais R$ 2,5 bilhões no trimestre, superando nossa estimativa devido ao menor consumo de estoques — um dado positivo, mas insuficiente para nos animar, já que esperamos uma liberação de capital de giro menor do que anteriormente antecipado no 4T26”, aponta a equipe de análise.

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Já do ponto de vista operacional, a Raízen continua entregando reduções de custos encorajadoras e melhorias de rentabilidade, particularmente em seus negócios de distribuição de combustíveis.

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O Bradesco BBI tem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 1. “Os resultados em si foram sólidos, com a empresa aparentemente no caminho certo para registrar um Ebitda para o ano-safra completo de pelo menos R$ 10 bilhões (BBI projetava de R$ 10,8 bilhões), enquanto o capex acumulado no ano totaliza R$ 5,2 bilhões, mostrando que a empresa deve encerrar o ano-safra bem abaixo da projeção inicial de aproximadamente R$ 9 bilhões”, avalia.

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O banco também aponta que a dívida líquida continua sendo um desafio, pois segue crescendo trimestralmente, e um FCFE (Free Cash Flow to Equity, ou Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) positivo no curto prazo parece improvável, mesmo com o capex anual limitado a R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões no ano fiscal de 2026/2027, considerando a projeção de Ebitda de aproximadamente R$ 10 bilhões – R$ 11 bilhões (com riscos de queda relacionados aos preços do açúcar e do etanol) e resultados financeiros de R$ 7-8 bilhões. “Assim, acreditamos que a venda de ativos e uma possível injeção de capital continuarão sendo temas centrais para a empresa”, aponta.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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