Populismo de Trump catapulta o Brasil na visão de investidores globais

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Investidor estrangeiro vê Brasil como único na região capaz de absorver o fluxo, com queda da Selic como catalisador; para eles, eleição não importou até aqui

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Paulo Barros

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26/01/2026 13h44 •

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A leitura de que os Estados Unidos passaram a se comportar como um “emergente populista” está se consolidando na percepção de investidores globais, que passam a ver o Brasil como um dos principais destinos do fluxo que sai de ativos americanos.

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Segundo o Bradesco BBI, encontros recentes com investidores nos EUA reforçaram essa visão: “Os EUA estão cada vez mais sendo percebidos como um ‘mercado emergente populista’. Essa comparação, que antes era anedótica, agora se tornou mais disseminada entre os investidores”.

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As razões são as já conhecidas: a interferência do governo Trump nas instituições, como o Federal Reserve, e as incertezas fiscais e de política comercial. Juntas, elas enfraquecem o dólar e levam capital para mercados emergentes.

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É aí que o Brasil se destaca. O banco relata que o interesse por ativos brasileiros é maior do que o peso do país nos índices globais sugeriria. Embora represente cerca de 4% do MSCI de mercados emergentes, o Brasil concentra atenção desproporcional dos investidores por combinar liquidez, valuation e potencial de retorno.

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Isso porque a Bolsa brasileira é vista como o único mercado da América Latina capaz de absorver volumes relevantes de capital estrangeiro, o que reforça seu papel como porta de entrada regional. “O Brasil é o mercado âncora da América Latina e o único com liquidez verdadeiramente escalável na região”, dizem os analistas.

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O fluxo estrangeiro vem sendo responsável por recordes seguidos do Ibovespa em 2026. O índice chegou a ultrapassar os 180 mil pontos pela primeira vez na última sexta-feira (23) e encerrou o pregão aos 178.858 pontos. Na semana, acumulou ganhos de 8,53%, a melhor semana desde a primeira de abril de 2020, quando registrou alta de 11,71%.

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Na última semana, investidores estrangeiros foram compradores líquidos de R$ 7,7 bilhões, elevando o fluxo acumulado no mês para R$ 12,4 bilhões, a metade do ano de 2025 inteiro.

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Eleições começam a entrar no radar (só agora)Além do cenário externo, os investidores veem no Brasil dois gatilhos para 2026. O primeiro é o início esperado do ciclo de corte de juros, partindo de uma das maiores taxas reais do mundo. O consenso captado pelo banco é de cortes entre 200 e 300 pontos-base ao longo do ano, o que levaria a Selic de 15% a um nível entre 13% e 12%.

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O segundo é o ciclo eleitoral. A eleição passou só agora a ocupar o centro das discussões, principalmente pelo impacto fiscal das propostas em debate. Ainda assim, o Bradesco BBI relata que o risco fiscal é visto como “ruim, mas administrável”, e não como um fator capaz de desorganizar o cenário macro.

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Apesar do interesse elevado, o banco observa que poucos investidores estão se posicionando diretamente para a eleição. Muitos já estão overweight em Brasil, mas preferem aguardar episódios de volatilidade para aumentar exposição.

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A leitura é que investidores estrangeiros enxergam o cenário brasileiro como mais assimétrico do que os investidores locais e estariam dispostos a comprar eventuais quedas provocadas pelo noticiário político.

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Nos encontros, as perguntas se concentraram em empresas com capacidade de capturar tanto o cenário global quanto o doméstico. Entre os nomes mais citados estão Petrobras (PETR3;PETR4), Vale (VALE3), Weg (WEGE3 e BTG Pactual (BPAC11).

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Com esse pano de fundo, o Bradesco BBI mantém recomendação overweight (equivalente a compra) para o Brasil e aponta o país como sua principal aposta na América Latina.

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Paulo Barros

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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