A Bolsa de Buenos Aires, representada pelo índice Merval, acumula uma queda de 31,78% em pesos argentinos até o dia 9 de setembro de 2025, conforme relatório da consultoria Elos Ayta. No entanto, a situação se agrava quando a análise é feita em dólares: a baixa atinge 50,35%. Esse resultado representa a maior perda desde 2008 e coloca a Argentina como a pior entre 21 mercados acompanhados pela Elos Ayta.
Enquanto a Argentina sofre com essa trajetória negativa, outros países se destacam com valorizações expressivas em suas bolsas de valores. No topo do ranking da consultoria, está a Colômbia, com uma alta de 51,08% em dólares, seguida pela Espanha (+46,34%) e Itália (+38,78%).
Os Estados Unidos também marcam presença na lista de ganhos, ainda que em patamares mais modestos. A Nasdaq acumula um avanço de 13,3%, o S&P 500 tem alta de 10,73% e o Dow Jones registra +7,44%. Mesmo consideradas moderadas, essas valorizações contrastam com a realidade enfrentada em Buenos Aires, como aponta a Elos Ayta.
Já no Brasil, o Ibovespa apresenta uma valorização de 17,74% em reais e de 34,32% em dólares, devido à desvalorização da moeda norte-americana frente ao real. Essa diferença cambial favoreceu o investidor estrangeiro que trouxe dólares para o país, proporcionando um retorno significativo ao converter o investimento de volta.
O relatório da Elos Ayta destaca a volatilidade histórica do Merval em dólares, evidenciando a queda acentuada de mais de 50% em 2025. Ao longo dos anos, a Bolsa argentina enfrentou períodos de grandes ganhos seguidos por quedas dramáticas, como ocorreu em 2008 e 2018.
Em 2008, a Argentina foi impactada pela crise financeira global desencadeada pela falência do Lehman Brothers, resultando em uma fuga de capitais dos países emergentes. A crise se agravou no país com a nacionalização dos fundos de pensão, aumento da inflação e intervenção no INDEC, culminando em uma queda de 54,17% no Merval em dólares.
Dez anos depois, a crise foi interna, com problemas cambiais e desvalorização do peso argentino, levando o governo a solicitar um histórico pacote de ajuda ao FMI. Naquela época, o Merval caiu quase 50% em dólares, refletindo um cenário de déficit fiscal elevado, alta inflação e desconfiança dos investidores.
O cenário atual reforça a tendência da Bolsa argentina em oscilar entre extremos, enquanto países vizinhos como Brasil, Chile, México e Colômbia desfrutam de um cenário mais favorável nos mercados globais. A lição para os investidores é entender a particularidade do mercado argentino e a sua trajetória isolada em relação aos demais países da região.
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