Petrobras: produção não surpreende, mas analistas veem dividendos pressionados no 4T

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Analistas fazem projeções dos resultados da estatal após divulgação do relatório de produção e vendas

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Lara Rizério

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11/02/2026 08h55 •

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Navio-sonda a serviço da Petrobras usado na perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil20/05/2025REUTERS/Pilar Olivares

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A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou seus dados de produção e vendas, fechando o quarto trimestre do ano com produção média de 3,081 milhões de barris diários (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural), uma alta de 18,6% na comparação com igual período do ano passado. No ano, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, 11,1% maior.

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Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o período de outubro a dezembro apresentou queda de 1,1% na produção.

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A estatal coloca entre os principais fatores para o aumento da produção na base anual a alta da capacidade de produção dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias e a maior eficiência operacional, de 3,6 ponto percentual (p.p) acima do resultado de 2024, principalmente em plataformas da Bacia de Santos.

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Na visão da XP Investimentos, os dados foram marginalmente positivos. A leve queda na produção já era esperada e amplamente antecipada. Apesar de volumes de produção relativamente neutros, acredita que o relatório adiciona um potencial positivo ao resultado do 4° trimestre de 2025, já que as vendas implicaram uma desestocagem de cerca de 178 mil barris por dia (kbpd).

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O JPMorgan vê os dados como neutros. No geral, o 4º trimestre apresentou níveis de produção estáveis ​​em comparação com o trimestre anterior, praticamente em linha com as expectativas. A produção no pré-sal permanece dominante, com 82%, próxima aos níveis recordes observados no trimestre anterior.

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No acumulado do ano, a Petrobras superou o limite superior de sua projeção em 4%, com crescimento de produção de 11% em relação a 2024. No segmento de refino e distribuição, as vendas também ficaram em linha com as expectativas e ligeiramente abaixo do 3º trimestre de 2025 devido a fatores sazonais. As vendas de combustíveis atingiram 1,771 milhão barris por dia, novamente em linha com as expectativas da JPMorgan. Para o futuro, espera uma continuidade no crescimento da produção, à medida que a empresa aumenta sua capacidade e coloca em operação novas plataformas.

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O BTG Pactual aponta ainda produção estável em exploração e menor utilização das refinarias parcialmente compensada por maiores exportações de petróleo.

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De olho nos resultados do 4º trimestre

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Após os dados de produção do quarto trimestre, os analistas ajustaram suas projeções para os resultados, a serem divulgados no próximo dia 5 de março.

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O Goldman Sachs aponta estar em grande parte alinhado com o consenso da Bloomberg em relação ao nível de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para o trimestre e, atualmente, espera que a empresa anuncie US$ 1,3 bilhão em dividendos ordinários juntamente com os lucros (rendimento de dividendos de aproximadamente 1%), com base na política de remuneração de acionistas da empresa de distribuir 45% do fluxo de caixa livre em proventos.

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“Vale lembrar que a distribuição deste trimestre deve ser impactada negativamente pela aquisição das participações minoritárias do governo nos campos do pré-sal na Bacia de Santos em dezembro”, aponta.

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Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileira

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Temporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho

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O Itaú BBA espera que a empresa apresente um Ebitda de US$ 10,6 bilhões para o 4T25 (queda de 12% em relação ao trimestre anterior). Isso deve resultar em um fluxo de caixa operacional de US$ 8,6 bilhões para o trimestre, o qual, após o capex estimado em US$ 6,4 bilhões, implicaria um pagamento de dividendos ordinários de US$ 1,0 bilhão no 4T25, correspondendo a um rendimento de dividendos de 1,1%, avalia o banco.

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“Houve alguns eventos pontuais neste trimestre, incluindo um pagamento de US$ 1,3 bilhão relacionado ao leilão do pré-sal realizado no final do ano passado, bem como um pagamento de US$ 285 milhões associado ao campo de Jubarte. Este último deverá reduzir o lucro antes dos impostos (EBT) em aproximadamente US$ 712 milhões no 4T25”, aponta.

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A equipe de análise do BBA estima um investimento total de capital (Capex) de US$ 5,7 bilhões no 4T25 (um aumento de 4% em relação ao trimestre anterior), impulsionado pela sazonalidade típica que concentra uma parcela maior dos investimentos no último trimestre do ano, que historicamente representa aproximadamente 29% do Capex anual.

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Como resultado, projeta um Capex total para 2025 de US$ 19,7 bilhões, 7% acima da projeção de US$ 18,5 bilhões delineada no Plano Estratégico 2025-2029. Por conta leilão, o desembolso de caixa do 4T25 irá para aproximadamente US$ 6,4 bilhões (um aumento de 30% em relação ao trimestre anterior).

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O BTG Pactual destaca que, apesar de spreads de refino mais fortes, a queda do Brent deve resultar em redução sequencial de aproximadamente 5% no Ebitda. A aceleração do capex no fim do ano, estimado em cerca de US$ 5,5 bilhões, somado a saídas de caixa pontuais de US$ 1,7 bilhão, pressiona a geração de caixa.

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Como consequência, os dividendos devem ficar pressionados, com estimativa de US$1,2 bilhão no trimestre, abaixo do consenso de US$1,7 bilhão.

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“Reiteramos a recomendação neutra devido a perspectivas financeiras apertadas, baixa visibilidade macro-política e yield estimado de cerca de 8% em 2026, limitando o avanço do valuation. O Ebitda projetado é de US$ 11,25 bilhões, queda de 5% trimestralmente, refletindo recuo de 7% no Brent e produção estável”, aponta.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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