Petrobras: geração de caixa garante bons dividendos, mas capex segue como questão
O capex mais alto foi compensado por uma liberação de cerca de US$ 1,5 bilhão no capital de giro principal
Lara Rizério
06/03/2026 08h50 •
Atualizado 8 minutos atrás
Ativos mencionados na matéria
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro 16/10/2019 REUTERS/Sergio Moraes
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A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) com números em linha com as estimativas tanto em termos de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) quanto em dividendos. Por outro lado, a geração de caixa livre ficou em linha, mas com algumas questões a serem monitoradas de perto pelos investidores.
O Ebitda ajustado foi de US$ 10,9 bilhões, cerca de 1% abaixo da projeção da XP e do consenso e em queda trimestral de 8% devido à baixa no preço médio do Brent para US$ 63 o barril (cerca de 7% t/t em relação aos US$ 68/bbl no 3T25).
Já o lucro líquido de US$ 2,9 bilhões ficou 22% acima da projeção da XP (baixa de 33% em relação ao consenso), apesar da Petrobras ter registrado cerca de US$ 1,6 bilhão em baixas contábeis no trimestre (ajustadas no valor do Ebitda).
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Enquanto isso, os dividendos de US$ 1,5 bilhão, ou R$ 8,1 bilhões, também ficaram em linha com as estimativas da casa (US$ 1,6 bilhão).
Para Regis Cardoso, analista da XP, embora a geração de caixa livre tenha ficado, em última análise, em linha com as suas estimativas, a composição de seus elementos diferiu das suas expectativas – possivelmente com menor qualidade, dada a contribuição positiva do capital de giro.
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O FCFE da Petrobras para o trimestre totalizou cerca de US$ 0,6 bilhão (em linha com a XP). No entanto, o capex de US$ 6,5 bilhões (incluindo US$ 1,3 bilhão para a aquisição de direitos de produção) ficou cerca de US$ 500 milhões acima de sua projeção.
O capex mais alto foi compensado por uma liberação de cerca de US$ 1,5 bilhão no capital de giro principal, embora isso tenha sido parcialmente contrabalançado por cerca de US$ 0,9 bilhão de consumo de caixa proveniente de outras variações nos ativos e passivos.
“No geral, embora a geração de caixa e os dividendos tenham ficado em linha com nossas estimativas, acreditamos que a dinâmica do 4T25 pode aumentar as preocupações dos investidores para os próximos trimestres”, aponta Cardoso.
Já para o Itaú BBA, o saldo do balanço foi positivo, com a Petrobras reportando um fluxo de caixa operacional de US$ 10,2 bilhões, superando suas estimativas em 14%, impactado positivamente pelo alívio do capital de giro.
Isso mais do que compensou o investimento de capital (capex) de US$ 6,6 bilhões no trimestre, 3% acima de suas estimativas, permitindo assim que a Petrobras anunciasse dividendos 15% acima das projeções.
“Reconhecemos que alguns investidores podem não receber bem o capex de US$ 20.3 bilhões em 2025, que veio próximo ao limite superior da faixa de variação de 10% indicada no guidance do ano passado. No entanto, isso não deve ser uma surpresa, pois reflete a aceleração no ritmo de investimentos em plataformas do pré-sal que a empresa adotou e que se espera que manter ao longo de 2026”, aponta o BBA.
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Para os analistas, embora isso possa pressionar a geração de caixa no curto prazo, deve desbloquear uma geração de caixa mais robusta. O BBA segue com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para o ativo PETR4, com preço-alvo de R$ 43.
A Genial Investimentos, por sua vez, segue com recomendação de manutenção para os ativos PETR4.
“Apesar dos pesares (preço do brent mais baixo, principalmente), a empresa entregou um resultado que julgamos razoável”, avaliam os analistas.
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CEO da Petrobras destaca alta de 200% no lucro: “Quem apostar contra vai perder”A Petrobras divulgou na véspera um lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual
Por um lado, avalia, a companhia segue mostrando elevada capacidade de execução operacional, com crescimento de produção em 2025, avanço dos projetos do pré-sal, manutenção de geração de caixa robusta e um downstream que continua capturando valor com exportações recordes e bom giro de estoques. Por outro, o trimestre foi pressionado pela queda adicional do Brent, aumento relevante de despesas operacionais e por um resultado financeiro bastante negativo, o que reduziu de forma importante o lucro líquido contábil no trimestre.
“Ainda assim, olhando a fotografia anual, a tese central permanece: a Petrobras continua sendo uma companhia de ativos muito competitivos, elevada geração de caixa e boa capacidade de remuneração ao acionista, embora siga convivendo com os riscos conhecidos de governança, alocação de capital e eventual expansão para negócios com retornos inferiores ao core de E&P. Entretanto, seguimos com preferencia por outros nomes no setor”, ressalta a equipe de análise.
Para o Bradesco BBI, os resultados reforçam que, apesar do ambiente mais desafiador para geração de caixa — especialmente pelo avanço dos investimentos — a Petrobras segue capaz de cumprir sua fórmula de dividendos, graças à dinâmica favorável do capital de giro no trimestre.
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“Entretanto, os investimentos permanecem como principal ponto de atenção, já que o dispêndio recorrente, mesmo excluindo desembolsos de M&A, avançou para patamar acima do previsto no plano estratégico”, apontam os analistas.
No operacional, o upstream sentiu a combinação de preços menores do petróleo e custos mais altos no pré-sal, enquanto Downstream e Gás & Energia apresentaram desempenhos acima das estimativas.
“O pagamento de US$ 1,5 bilhão em dividendos tende a ser bem recebido, especialmente por ter superado a expectativa de mercado em um trimestre que costuma ser marcado por pressões sobre a geração de caixa”, avalia o BBI. Ainda assim, a continuidade de investimentos mais elevados pode afetar a geração futura de caixa, caso não haja compensações na operação ou no capital de giro — o que coloca a execução do plano de investimentos como elemento central para a sustentabilidade dos retornos ao acionista ao longo de 2026.
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Lara Rizério
Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.
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