Na terça-feira, as ações da Oranje BTC (OBTC3) começaram a ser negociadas na B3, operando com uma leve alta na manhã seguinte. A empresa é a segunda listada na América Latina com estratégia focada em Bitcoin, sendo a primeira exclusivamente dedicada a esse propósito, sem operações fora do ecossistema cripto.
Com 155,3 milhões de ações ordinárias, sendo 14% nas mãos de fundadores e executivos, a Oranje BTC tem uma tesouraria de 3.675 BTC, equivalente a cerca de R$ 2,4 bilhões. Seu objetivo é acumular mais moedas ao longo do tempo, utilizando instrumentos do mercado de capitais para ampliar o número de bitcoins por ação, vendendo apenas o necessário para despesas ou amortizações de dívidas.
Analistas do Itaú BBA explicam que o papel da Oranje tende a ter uma volatilidade ainda maior que o próprio Bitcoin, funcionando como um "amplificador mecânico" das oscilações do ativo digital.
A listagem da Oranje BTC na Bolsa foi realizada por meio de um IPO reverso, com a aquisição e incorporação da Intergraus S.A., tradicional cursinho paulista do grupo Bioma Educação. A empresa possui um modelo inspirado na americana MicroStrategy (MSTR), referência global em companhias com tesouraria integralmente em Bitcoin, operando com múltiplos próximos de 1,5 vez o valor de suas reservas.
A Oranje pretende seguir essa lógica, utilizando o mercado de capitais para alavancar a compra de novas moedas. O CEO da empresa, Guilherme Gomes, destacou a intenção de acelerar a adoção do Bitcoin no mercado brasileiro tanto financeiramente, por meio da tesouraria, quanto educacionalmente, com cursos e conteúdos sobre o ativo digital.
O conselho da Oranje BTC é presidido por Joshua Gregory Levine, ex-BlackRock e Bridgewater, e conta com nomes conhecidos no Brasil, como Fernando Ulrich e Julio Capua, dentre outros. Entre os investidores da empresa estão Cameron e Tyler Winklevoss (Gemini), Adam Back, Ricardo Salinas (Banco Azteca) e fundos como Off the Chain Capital e ParaFi Capital.
Segundo o Itaú BBA, a proposta da Oranje pode atrair investidores que buscam exposição alavancada ao Bitcoin via bolsa, mas o sucesso da empresa depende da valorização da criptomoeda e do acesso contínuo ao mercado de capitais.
Na manhã desta quarta-feira, o Bitcoin estava sendo negociado próximo a US$ 121 mil, mostrando estabilidade nas últimas 24 horas. Esse cenário contribui para explicar a estreia contida da OBTC3, em contraste com a forte reação da Méliuz, que subiu quase 6% após anunciar um programa de recompra de até 10% do free float.
A presença da Oranje BTC na Bolsa de Valores representa um marco na área financeira, proporcionando uma nova opção aos investidores interessados em se expor ao mercado de criptomoedas através de uma empresa dedicada exclusivamente ao Bitcoin. A expectativa é de que a empresa siga a trajetória de sucesso de referências globais, utilizando estratégias inovadoras para expandir sua atuação no mercado brasileiro e educar sobre o potencial do Bitcoin como ativo digital.
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