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Nvidia corre risco “catastrófico” e lembra bolha, diz gestor que previu crise de 2008
Michael Burry, que tem posição vendida na gigante, aponta salto em compromissos de compra e dependência do ciclo de IA para reforçar cenário pessimista
Paulo Barros
26/02/2026 13h56 •
Atualizado 16 segundos atrás
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Michael Burry (Foto: Divulgação/Regency Enterprises)
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A Nvidia (BDR: NVDC34) reportou um resultado novamente acima das expectativas, mas outra vez sem a força suficiente para empolgar os investidores – ao menos não imediatamente. A ação da companhia cede forte em Nova York no dia seguinte ao balanço, e um conhecido investidor vendido (short seller) aproveitou para voltar a soar o alarme contra o que julga ser uma nova bolha.
Michael Burry, que ficou famoso por prever a crise do subprime em 2008 e foi retratado no filme “A Grande Aposta”, afirmou nesta quinta-feira (26) que a Nvidia aumentou demais seus compromissos de compra para sustentar a demanda por chips de inteligência artificial, e alertou que uma desaceleração no setor pode ter impacto “catastrófico” sobre suas finanças.
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Em publicação na plataforma Substack, Burry destacou que a expansão nos compromissos de compra decorre de exigências da fornecedora Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC) por contratos mais longos e pagamentos antecipados para ampliar a capacidade produtiva dos chips mais recentes da Nvidia.
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“Para deixar claro, a NVDA foi forçada a fazer pedidos de compra não canceláveis muito antes de a demanda ser conhecida”, escreveu Burry. Ele acrescentou que a companhia está levando mais tempo para converter estoques em vendas e que a decisão representa uma estratégia deliberada de travar capacidade na cadeia de suprimentos em um nível inédito.
De acordo com o investidor, as obrigações totais de fornecimento da Nvidia somam US$ 117 bilhões, valor próximo ao fluxo de caixa operacional registrado no exercício encerrado em 25 de janeiro. “Isso não é o habitual. Isso é risco”, afirmou.
Burry comparou a situação à da Cisco durante a bolha das empresas de internet. Na ocasião, a companhia ampliou compromissos com fornecedores para sustentar um crescimento anual estimado em 50%. Com a queda abrupta dos investimentos corporativos em tecnologia, a Cisco registrou baixas relevantes em estoques e compromissos, e suas ações sofreram forte desvalorização.
O investidor também argumentou que as margens elevadas da Nvidia refletem o poder de precificação em um ambiente de demanda intensa e podem encolher caso o ritmo do setor diminua. Segundo ele, qualquer retração, quando ocorrer, será mais severa e possivelmente até catastrófica para os lucros e o balanço da companhia.
Recentemente, Burry havia traçado paralelo entre o atual ciclo de valorização da IA e a euforia com ações da Radio Corporation of America na década de 1920. “Na década de 1920 houve uma mania do rádio concentrada principalmente em uma única ação, a RCA”, publicou na rede social X. Ele destacou que, apesar de o rádio ter continuado a crescer por décadas, o papel chegou a cair cerca de 98% entre 1929 e 1932.
Burry retomou posição vendida na Nvidia no terceiro trimestre de 2025, com a posse de US$ 186,58 milhões em opções de venda (puts) do papel. Essa, no entanto, é a última informação pública sobre a posição. Em novembro, Burry cancelou o registro do seu hedge fund Scion Asset Management junto à SEC (a CVM americana), o que o desobrigou a informar seus investimentos publicamente.
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Fora do consensoApesar da queda da ação da Nvidia nesta quinta, analistas que cobrem o papel ainda mantêm amplamente recomendações de compra ou neutras.
Após o balanço, o UBS foi um dos bancos que reiteraram recomendação de compra para a Nvidia, com preço-alvo de US$ 235, citando dados de exportação de Taiwan como sinal positivo para os próximos resultados.
O UBS também destacou que os dados de dezembro da Associação da Indústria de Semicondutores ficaram acima das tendências sazonais e que os números de vendas da TSMC referentes a janeiro devem ser divulgados na sexta-feira.
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Por outro lado, o braço de Wealth Management do banco suíço recomenda diversificação no setor de IA.
“Ressaltamos a importância de ampliar a exposição à IA para capturar toda a gama de oportunidades que a tecnologia oferece”, disse Ulrike Hoffmann-Burchardi, chefe global de ações do UBS Global Wealth Management. “Recomendamos diversificar a exposição à IA entre setores e geografias à medida que o cenário continua a evoluir em meio a um rápido desenvolvimento.”
A Nvidia registrou crescimento de 65% na receita e no lucro líquido em 12 meses, para US$ 216 bilhões e US$ 120 bilhões, respectivamente, e projetou avanço anual de até 80% na receita do trimestre atual. As ações acumulam alta superior a 13 vezes desde o início de 2023, embora estejam cerca de 8% abaixo do recorde alcançado em outubro. Na quinta-feira, os papéis recuavam cerca de 4,5% no início do pregão.
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Paulo Barros
Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)
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