Microsoft tem pior dia desde março de 2020 e derruba Wall Street: o que deu errado?
Por volta das 13h30, o S&P 500 recuava 1,2%, enquanto o Nasdaq Composite caía 2,3% e o Dow Jones perdia 0,6%
Paulo Barros
29/01/2026 13h37 •
Atualizado 1 minuto atrás
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Um homem olha para o celular ao passar pelo estande da Microsoft na feira Mobile World Congress, em Barcelona, Espanha, em 3 de março de 2025. REUTERS/Bruna Casas/Foto de arquivo
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O dia em Wall Street indicava uma sessão positiva, mas tudo virou do avesso. Os índices americanos operam em forte queda nesta quinta-feira (29), e fizeram azedar o pregão que até então era de mais um recorde para o Ibovespa.
As perdas são concentradas no setor de tecnologia e em um desempenho particularmente negativo de uma única ação: a Microsoft (BDR: MSFT34).
As ações da Microsoft despencam quase 12%, em um dos piores pregões da empresa desde março de 2020. O tombo foi suficiente para pressionar todo o mercado, dada a relevância da companhia nos principais índices de Wall Street. Por volta das 13h30, o S&P 500 recuava 1,2%, enquanto o Nasdaq Composite caía 2,3% e o Dow Jones perdia 0,6%.
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Mas o que aconteceu?O movimento ocorreu após a divulgação do balanço trimestral, que mostrou desaceleração no crescimento da divisão de computação em nuvem no segundo trimestre fiscal. O segmento, acompanhado de perto por investidores como termômetro da demanda corporativa por inteligência artificial, passou a crescer em ritmo menor.
Além disso, a empresa divulgou uma projeção considerada fraca para a margem operacional do terceiro trimestre fiscal, ampliando a frustração do mercado.
Custos altos, retorno incertoO balanço também reacendeu dúvidas sobre o impacto financeiro dos investimentos em inteligência artificial. A Microsoft registrou um salto de 66% capex e leasings financeiros, que chegaram a US$ 37,5 bilhões no trimestre, acima das expectativas do mercado.
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A empresa afirmou ainda enfrentar restrições de capacidade computacional, já que a demanda por serviços de nuvem e IA segue maior do que a oferta disponível.
Segundo a diretora financeira Amy Hood, o crescimento da Azure teria sido maior se toda a nova capacidade de GPUs tivesse sido direcionada ao segmento, reforçando a percepção de gargalos operacionais.
Efeito dominó no setor de tecnologiaO tombo da Microsoft contaminou outras ações de software. Papéis de empresas como ServiceNow, Oracle e Salesforce recuaram mesmo após resultados acima do esperado, refletindo o aumento do ceticismo sobre a capacidade do setor de monetizar os investimentos pesados em IA no curto prazo.
O ETF iShares Expanded Tech-Software Sector (IGV), que acompanha o desempenho do setor, caiu cerca de 6% no dia e entrou em território de mercado de baixa, acumulando perda de aproximadamente 22% em relação à máxima recente.
Índices caem apesar de alívio pontualCom o peso da Microsoft, os principais índices passaram a operar em forte queda. O S&P 500 recuou 1,2%, enquanto o Nasdaq Composite caiu 2,3%. Já o Dow Jones Industrial Average perdeu cerca de 304 pontos, ou 0,6%.
Houve exceções. As ações da Meta (M1TA34) subiram entre 7% e 8% após a empresa divulgar resultados acima do esperado e sinalizar continuidade dos investimentos em inteligência artificial.
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“À medida que planejamos o futuro, continuaremos a investir de forma muito significativa em infraestrutura para treinar modelos líderes e entregar superinteligência pessoal para bilhões de pessoas e empresas ao redor do mundo”, disse o CEO Mark Zuckerberg, em teleconferência com analistas.
Ainda assim, o desempenho positivo da Meta não foi suficiente para compensar o impacto negativo da Microsoft sobre o mercado, que agora espera com mais apreensão o resultado da Apple (AAPL34) após o fechamento.
Fed fica em segundo planoA queda ocorreu um dia após o Federal Reserve manter a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75%. Em comunicado, o banco central afirmou que a atividade econômica segue em ritmo sólido e que o mercado de trabalho mostra sinais de estabilização.
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Mesmo com o Fed no radar, a reação dos investidores nesta quinta indicou que, ao menos por agora, o foco está menos nos juros e mais na conta que as big techs ainda não conseguiram fechar: quanto custa e quando retorna a aposta bilionária em inteligência artificial.
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Paulo Barros
Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)
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