JPMorgan: Brent pode chegar a US$ 120 se crise em Ormuz durar mais de 3 semanas

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O relatório afirma que, diante da paralisação das rotas marítimas, a única forma de aliviar o choque é uma liberação coordenada de estoques estratégicos pelos países desenvolvidos

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Lara Rizério

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02/03/2026 08h51 •

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Atualizado 9 minutos atrás

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O mercado global de energia entrou em seu momento mais crítico em décadas após o trânsito no Estreito de Ormuz — a principal passagem marítima de petróleo do planeta — praticamente parar pela primeira vez na história moderna em meio ao conflito no Irã. É o que aponta um relatório divulgado pelo JPMorgan, que descreve o evento como um “fracasso” do cenário-base que o banco americano tinha, até então considerado improvável.

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Na manhã do domingo (1), o número de navios cruzando a rota caiu a quase zero, consequência direta do alerta de seguradoras que anunciaram a possibilidade de cancelar apólices de risco de guerra, levando armadores a suspender imediatamente as operações. Embora não tenha havido ataques diretos à hidrovia, a reação das seguradoras foi suficiente para congelar o fluxo.

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O colapso do tráfego ocorreu horas depois de uma forte ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra alvos estratégicos no Irã, incluindo centros de comando, instalações militares e bases ligadas à Guarda Revolucionária. O Irã retaliou lançando mísseis contra regiões petrolíferas na Arábia Saudita e contra bases americanas no Golfo, mas todos os ataques foram interceptados sem danos às principais infraestruturas de petróleo.

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Ainda assim, incidentes pontuais foram registrados: um tanque vazio sancionado pelos EUA, ancorado perto de Omã, foi atingido; destroços danificaram um berço de atracação no porto de Jebel Ali, em Dubai, suspendendo temporariamente operações; outro navio transportando gasolina com destino à Aramco também foi afetado.

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Os impactos já aparecem nas estatísticas. De acordo com o JPMorgan, o fluxo de exportação via Estreito de Ormuz caiu de aproximadamente 16 milhões de barris por dia para cerca de 4 milhões em 28 de fevereiro — uma retração drástica causada pelo pânico logístico mais do que por qualquer perda física de capacidade.

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Além disso, grandes empresas asiáticas de navegação — como Nippon Yusen, Mitsui O.S.K. Lines e K Line — suspenderam completamente o envio de navios pela região, enquanto prêmios de risco de guerra (war-risk) e dúvidas sobre a continuidade de seguros elevam o custo das operações a níveis sem precedentes.

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A preocupação central está no tamanho da dependência global do Estreito. Cerca de 19 milhões de barris de líquidos passam diariamente por Ormuz, incluindo 16 milhões de barris de petróleo cru. As rotas alternativas — oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados — têm capacidade para realocar apenas 3,3 milhões de barris por dia.

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Ou seja: 15,8 milhões de barris por dia ficariam, na prática, sem saída caso o bloqueio persista.

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Com a queda no fluxo de exportação, os produtores do Golfo Pérsico começam a encher seus tanques rapidamente. Segundo o banco, os países da região dispõem de 343 milhões de barris de capacidade livre, o equivalente a apenas 22 dias de produção que normalmente escoaria por Ormuz.

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Se o bloqueio continuar por mais de três semanas, os países da região seriam obrigados a reduzir produção, o que pode levar o Brent a operar entre US$ 100 e US$ 120 por barril, estima o JPMorgan.

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O relatório afirma que, diante da paralisação das rotas marítimas, a única forma de aliviar o choque é uma liberação coordenada de estoques estratégicos pelos países desenvolvidos. As reservas estratégicas (SPR) da OCDE somam cerca de 1,247 bilhão de barris, sendo 935 milhões de petróleo cru.

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Contudo, a eficácia dessa ação dependerá: da duração do conflito; da velocidade de retomada do tráfego marítimo e e da capacidade diplomática de criar um “corredor seguro” temporário.

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Há uma chance — embora incerta — de que a crise se estabilize caso o conflito diminua até o fim do feriado judaico de Purim, na noite de segunda-feira. Nesse cenário, o JPMorgan acredita que o atual pico de preços poderia ser temporário.

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Porém, o banco alerta: se o conflito se prolongar ou se intensificar, especialmente com possibilidade de mudança de regime no Irã, os riscos se tornam significativamente maiores. O relatório lembra que quedas de regimes em grandes produtores de petróleo historicamente levaram a aumentos médios de 76% nos preços do petróleo entre o início da instabilidade e o pico.

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Apesar do cenário extremamente volátil e da interrupção inédita em Ormuz, o JPMorgan mantém suas projeções de preços. A incerteza ainda é grande demais para ajustes formais, mas o banco alerta que o mercado está operando em território “altamente sensível”, com riscos claros de desdobramentos mais profundos nas próximas semanas.

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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