Analistas do banco JPMorgan projetam um cenário positivo para os fluxos de capital estrangeiro direcionados ao Brasil nos próximos meses. Após um período marcado por saídas expressivas, a expectativa é que haja uma retomada desses investimentos, impulsionada por fatores como cortes de juros no país e a recuperação econômica externa.
Até o dia 12 de agosto, os dados apontam uma retirada líquida de R$ 771 milhões, acumulando resgates de R$ 6,4 bilhões em julho. No entanto, no ano, já há uma entrada de R$ 14 bilhões, desconsiderando operações relacionadas à Vale, o que ainda não compensa a saída de R$ 32 bilhões registrada no ano passado.
A volatilidade nos fluxos estrangeiros tem sido fortemente impactada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e outros países. A política tarifária promovida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, tem sido um dos principais determinantes desses fluxos, influenciando diretamente a direção dos investimentos.
Os analistas do JPMorgan destacam a relação entre cortes de juros pelo Federal Reserve e o movimento de entrada de capitais. Embora historicamente a política monetária americana não seja o principal fator influenciador, exceções como o primeiro corte de juros em 2024 resultaram em entradas significativas de recursos no Brasil.
De acordo com o estudo, as tarifas também exercem influência sobre a cotação do dólar. Durante o ciclo de cortes de juros do Fed em 2024, a desvalorização da moeda americana atraiu mais de R$ 10 bilhões para a bolsa brasileira, mas a valorização subsequente do dólar levou a saídas de recursos, destacando a sensibilidade do mercado a esses movimentos.
Para o restante de 2025, o JPMorgan projeta uma tendência de queda do dólar, sustentada por juros menores nos EUA, desaceleração econômica e aumento do déficit fiscal. Além disso, a recuperação das bolsas chinesas aliada a um dólar mais fraco é vista como positiva para a entrada de capital no Brasil.
No âmbito interno, a expectativa é de que o início do ciclo de cortes de juros no Brasil até o final do ano torne o mercado local mais atrativo. O banco prevê uma redução de 425 pontos-base na taxa Selic, acima das estimativas do mercado, o que historicamente costuma ser subestimado pelos agentes financeiros.
Em relação aos fundos de investimento brasileiros, em julho houve uma entrada líquida de R$ 17 bilhões, com destaque para os fundos de renda fixa. Por outro lado, os fundos de ações registraram saídas pelo 13º mês consecutivo. Os fundos multimercados, embora também com saídas, apresentaram um ritmo menor do que nos meses anteriores.
Na B3, a participação estrangeira manteve-se em 60% nos últimos 12 meses, enquanto investidores institucionais representaram 24,6% do volume negociado, e pessoas físicas responderam por 14%. A expectativa é que as perspectivas favoráveis contribuam para a atração de mais investimentos estrangeiros e fortaleçam o mercado de capitais brasileiro.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!