Uma investigação do Greenpeace identificou que a JBS recebe gado criado ilegalmente na Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, localizada na Amazônia Legal. Esses animais teriam abastecido frigoríficos autorizados a exportar carne para União Europeia, Ásia, Américas e para o mercado brasileiro. A prática, denominada pela ONG como "lavagem de gado", consiste em transferir bois criados em áreas irregulares para fazendas legais, ocultando assim o desmatamento e outras irregularidades associadas.
De acordo com o Greenpeace, a falta de controle sobre todos os fornecedores, diretos e indiretos, resulta na contaminação de toda a cadeia produtiva. A carne produzida de forma ilegal acaba misturada com a regular, sendo vendida para supermercados e consumidores sem distinção.
A Terra Indígena no Mato Grosso, homologada em 2016, foi ocupada por fazendeiros mesmo após sua identificação e aprovação pela Funai. Essa ocupação para atividades agropecuárias é proibida pela Constituição. Após disputas judiciais, o STF reafirmou a validade da demarcação em maio deste ano.
O proprietário da fazenda Três Coqueiros II, Mauro Fernando Schaedler, foi citado no relatório como símbolo de irregularidades, com mais de R$ 3,1 milhões em multas ambientais acumuladas. A investigação apontou que essa fazenda transferia gado para outras propriedades, que por sua vez abasteciam os frigoríficos da JBS sem seguir protocolos de monitoramento eficazes.
Durante o período de 2018 a 2025, 1.238 bois saíram da fazenda de Schaedler e foram enviados para a Fazenda Itapirana, localizada a menos de 2 quilômetros dali. Essa segunda fazenda, considerada um "portal de legalização", comercializou os animais com frigoríficos da JBS, que distribuíram a carne para consumidores no Brasil e no exterior.
A JBS respondeu às acusações afirmando que a ONG não conseguiu comprovar o trânsito do gado da fazenda Três Coqueiros para suas fábricas. No entanto, a empresa bloqueou preventivamente a Fazenda Itapirana e solicitou esclarecimentos ao produtor. A JBS destaca que monitora 100% de seus fornecedores através de imagens de satélite e informações oficiais, e implementou a Plataforma Pecuária Transparente, utilizando tecnologia blockchain para garantir a conformidade dos fornecedores.
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