Guerra? Crise do petróleo? Wall Street vê rali do S&P 500 mesmo com tudo isso

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Alvo médio para 2026 segue 10% acima do nível atual, e estrategistas são taxativos: quedas abrem janela de compra

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Paulo Barros

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03/03/2026 08h02 •

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Atualizado 14 minutos atrás

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Operadores trabalham no pregão da Bolsa de Valores de Nova York. Fotógrafo: Michael Nagle/Bloomberg

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Dois meses após o início do ano, o S&P 500 não saiu do lugar. Não é um desempenho desprezível, diante dos choques enfrentados pelos mercados, de tensões geopolíticas a ameaças de disrupção pela inteligência artificial.

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Ainda assim, está distante de onde os otimistas de Wall Street projetam que o índice termine 2026. Apesar dos possíveis ventos contrários, a meta média para o S&P 500 é 10% superior ao nível atual até o fechamento de dezembro, mesma estimativa do começo do ano. Os estrategistas também mantiveram inalteradas suas alocações, segundo indicador de sentimento do sell side do Bank of America.

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O otimismo se apoia na expectativa de crescimento econômico acima da média nos Estados Unidos e de aumento nos lucros corporativos. E, embora ainda seja cedo, nenhum dos estrategistas acompanhados pela Bloomberg adotou postura cautelosa desde que os EUA iniciaram uma guerra no Oriente Médio que, por ora, elevou de forma acentuada os preços da energia.

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“Tudo volta à força subjacente da macroeconomia e dos lucros corporativos, que até agora parecem não ter sido afetados pela geopolítica”, disse Sameer Samana, chefe de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute. “O conflito com o Irã pode ser diferente dos anteriores, pois, se o petróleo permanecer elevado por meses ou trimestres, pode ameaçar uma recessão global, tanto econômica quanto de lucros corporativos.”

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A guerra dos EUA com o Irã é apenas o mais recente golpe no sentimento dos investidores neste ano. A inflação persistente e as mudanças frequentes na política tarifária dificultam o planejamento das empresas. Aplicações de inteligência artificial ameaçam reconfigurar diversos setores. Gestoras de crédito privado enfrentaram dificuldades diante de empréstimos problemáticos. E o presidente Donald Trump adotou uma política externa ambiciosa, que tem gerado turbulência entre aliados e adversários dos EUA.

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Na segunda-feira (2), analistas recomendaram a clientes que qualquer queda relacionada ao Irã seria uma janela de compra. Instituições de Morgan Stanley a Piper Sandler defenderam visão construtiva para ações, citando episódios anteriores de volatilidade geopolítica que, em geral, foram de curta duração.

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O S&P 500 encerrou a segunda-feira praticamente estável, após apagar queda inicial de 1,2% no primeiro pregão depois de o bombardeio dos EUA ao Irã provocar turbulência no Oriente Médio. Para alguns, o otimismo parece deslocado.

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“O nível de complacência está fora da curva”, afirmou Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co LLC. “Chegamos a um ponto em que investidores compram qualquer pequena queda, até que isso deixe de funcionar. O problema é que, quando vier a correção inevitável, muitos investidores vão sofrer perdas relevantes.”

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O sentimento em relação às ações “permaneceu resiliente e otimista neste ano”, segundo Savita Subramanian, chefe de estratégia de ações e quantitativa do BofA, mesmo com mudanças nos indicadores internos do mercado e com “bolsões de crescimento antes aquecidos sofrendo forte reprecificação”.

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A visão positiva dos estrategistas continua baseada na premissa de que a máquina de lucros das empresas americanas é suficiente para sustentar a alta das ações, apesar das preocupações de curto prazo.

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Na temporada mais recente de balanços, porém, resultados sólidos do setor financeiro — as empresas do S&P 500 elevaram os lucros em 13%, quase seis pontos percentuais acima do esperado — não foram suficientes para animar os investidores. O índice recuou 1,7% entre o início da divulgação, com JPMorgan Chase, e o encerramento do ciclo, com Walmart.

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A gestora Blue Owl Capital suspendeu recentemente resgates em um de seus veículos e começou a vender empréstimos para levantar caixa aos investidores. A empresa alertou que o aumento do estresse dos tomadores, os custos mais altos de juros e a alavancagem remanescente do período de dinheiro barato começam a pressionar partes do mercado de crédito privado. Para as ações, isso eleva o risco de que crédito mais restrito e possíveis calotes afetem os lucros corporativos, especialmente em setores mais alavancados.

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“Todos acreditam que o ‘Fed put’ ou o ‘Trump put’ vão impedir até mesmo a menor queda”, disse Maley, da Miller Tabak. “Isso é um grande erro. Em algum momento, um desses fatores vai levar à revisão para baixo das estimativas de lucro, e isso vai assustar os investidores de forma relevante.”

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©️2026 Bloomberg L.P.

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Paulo Barros

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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