Goldman vê alavanca de US$ 80 bi para crescimento das mineradoras e destaca Vale

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Setor entra em uma fase em que a disciplina de capital voltará a ser determinante para geração de valor

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Lara Rizério

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26/02/2026 10h49 •

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Atualizado 11 minutos atrás

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Minério de ferro (Foto: REUTERS/David Gray)

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As principais mineradoras globais estão em um “tesouro escondido” capaz de redefinir o próximo ciclo do setor, conforme aponta relatório do Goldman Sachs sobre o setor. De acordo com o banco, os ativos de infraestrutura hoje embutidos nas operações — como ferrovias, portos, usinas de energia e sistemas de água — podem liberar até US$ 80 bilhões para financiar crescimento, fusões e aquisições e elevar retornos ao acionista.

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O estudo afirma que o setor entra em uma fase em que a disciplina de capital voltará a ser determinante para geração de valor. Com a escalada de custos para garantir exposição a commodities com fundamentos sólidos, especialmente o cobre, a capacidade de financiar expansão sem comprometer balanços será diferencial competitivo.

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Infraestrutura negligenciada pode virar fonte de capital

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As mineradoras investiram bilhões em infraestrutura ao longo de décadas, especialmente em regiões remotas. Esses ativos — essenciais para transportar minério, gerar energia e garantir abastecimento de água — costumam ter retorno mais baixo e são valorizados pelo mercado a múltiplos inferiores aos observados em empresas de infraestrutura listadas.

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O Goldman Sachs calcula que seis grandes mineradoras possuem cerca de US$ 95 bilhões em infraestrutura, dos quais até US$ 38 bilhões poderiam ser monetizados por meio de estruturas sintéticas que permitem levantar capital sem vender os ativos nem perder controle operacional.

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Entre os maiores potenciais estão Rio Tinto e Vale (VALE3), cujas redes de portos, ferrovias e sistemas de energia chegam a representar até 20% do valor de mercado. O banco tem recomendação neutra para Rio Tinto e de compra para as ações da Vale.

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Modelo BHP–GIP vira referência

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A equipe de análise cita como exemplo o acordo firmado no fim de 2025 entre a BHP e o fundo Global Infrastructure Partners, no qual a mineradora receberá US$ 2 bilhões ao ceder 49% de sua participação econômica na rede de energia do Pilbara. Na prática, a BHP mantém controle total dos ativos, enquanto cria um fluxo de pagamentos fixos e indexados à inflação para o investidor — um tipo de “PPA sintético”.

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Esse modelo, diz a análise, pode ser replicado em portos e ferrovias, criando uma nova forma de financiamento de longo prazo, com custo inferior ao WACC típico das mineradoras.

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Minério de ferro: até US$ 25 bilhões podem ser destravados

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Uma grande oportunidade está no minério de ferro: redes de portos e ferrovias de BHP, Rio Tinto, Fortescue, Vale (VALE3) e Anglo American poderiam liberar US$ 25 bilhões. Com demanda estável e volumes altamente previsíveis — o que agrada fundos de infraestrutura — esses ativos oferecem uma relação risco-retorno rara.

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O Goldman calcula que transações precificadas entre 14x e 16x EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) gerariam valor positivo tanto para investidores quanto para mineradoras.

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Para o Goldman, o movimento não deve ser visto como necessidade de caixa, já que o setor se encontra com balanços robustos. A questão central é estratégica: transformar infraestrutura subavaliada em capital de baixo custo, para acelerar novos projetos, participar de consolidações e melhorar a remuneração ao acionista sem comprometer controle nem flexibilidade operacional.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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