O fundo soberano da Noruega, que administra US$ 1,9 trilhão em ativos, decidiu se desfazer de participações em 11 empresas israelenses e encerrar todos os contratos com gestores externos em Israel. A pressão pública contra os investimentos ligados à guerra em Gaza foi determinante para a decisão.
O CEO do Norges Bank Investment Management (NBIM), Nicolai Tangen, classificou a situação em Gaza como uma "grave crise humanitária". O fundo, que opera majoritariamente como gestor passivo, afirmou que encerrará toda a gestão ativa no país.
Antes da venda, as participações em Israel representavam 0,1% do total do fundo, cerca de US$ 2 bilhões. Todas as ações das 11 empresas já foram vendidas, mas o fundo continuará investindo em algumas companhias israelenses presentes nos índices de referência.
O NBIM historicamente evita se envolver em questões políticas, mas segue diretrizes estabelecidas pelo Parlamento norueguês. Em 2022, congelou e vendeu seus ativos na Rússia após a invasão da Ucrânia. O fundo conta com um conselho de ética externo, que avalia o portfólio e recomenda exclusões ou observações.
Uma pesquisa mostrou que 78% dos entrevistados querem que o fundo exclua empresas que não respeitam os direitos humanos. O NBIM já havia excluído 11 companhias devido a atividades na Cisjordânia.
A Noruega reconheceu o Estado Palestino em 2024 e tem feito apelos para que Israel permita mais ajuda humanitária entrar em Gaza. O ministro das Finanças ordenou a revisão de todos os investimentos israelenses após revelações sobre empresas investidas envolvidas em manutenção de caças usados em ataques a Gaza.
O debate sobre as participações do fundo em Israel ocorre em um momento sensível para o Partido Trabalhista, que lidera pesquisas antes das eleições parlamentares do próximo mês. Enquanto o Partido Verde pediu a renúncia do CEO do fundo, o Partido da Esquerda Socialista exige uma investigação sobre o conhecimento do governo em relação aos investimentos.
Em meio às pressões políticas, a decisão do fundo soberano norueguês de retirar investimentos de empresas israelenses destaca a sensibilidade do tema e a importância das questões éticas e morais na gestão financeira a nível global.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!