‘Fator Trump’ leva prata a US$ 100 pela 1ª vez e ouro à melhor semana desde 2008
Busca por ativos de proteção, incertezas geopolíticas e preocupações com o Fed impulsionam metais preciosos
Paulo Barros
23/01/2026 15h35 •
Atualizado 12 minutos atrás
(Foto: Zlaťáky/Unsplash)
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Não é só o ouro que está em disparada. Após o metal avançar rumo aos US$ 5.000 por onça, a prata também superou uma marca histórica e passou a valer US$ 100 por onça pela primeira vez nesta sexta-feira (23).
O preço à vista da prata chegou a subir até 4,2%, para US$ 100,29 por onça, acumulando alta de quase 40% em 2026, após mais do que dobrar no ano passado. O ouro também avançou e era negociado a US$ 4.961,74 por onça, com ganho semanal de cerca de 8%, o melhor desempenho desde a crise de 2008.
A demanda por metais preciosos se intensificou no primeiro ano do segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a preocupações com políticas comerciais, conflitos geopolíticos e questionamentos sobre a independência do Federal Reserve. A perspectiva de tarifas sobre a prata, por exemplo, levou a um aumento no envio do metal para Nova York e culminou em um short squeeze histórico em Londres, em outubro.
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Nesta semana, a valorização da prata foi impulsionada por tensões nas relações de Washington com aliados europeus e pela falta de avanços nas negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Declarações de Trump sobre a escolha do próximo presidente do Fed também reacenderam preocupações sobre a autonomia do banco central.
O mercado global de prata enfrenta déficit de oferta há cinco anos, o que tem sido acompanhado por forte demanda de investidores de varejo. Na China, a prata tem sido vista como alternativa mais acessível ao ouro, enquanto nos Estados Unidos o volume de compras chegou a sobrecarregar distribuidores. Em janeiro, o Citi já havia elevado sua projeção de curto prazo para a prata a US$ 100 por onça e indicado que o ouro poderia alcançar US$ 5.000.
A alta ocorre apesar da decisão dos EUA, em janeiro, de adiar a imposição de tarifas sobre minerais críticos. Trump afirmou que pretende negociar acordos bilaterais para garantir o fornecimento desses materiais, sem descartar a adoção de tarifas no futuro.
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Além de ativo financeiro, a prata tem papel relevante na indústria por ser um condutor eficiente de eletricidade, com destaque para o setor solar. Ainda assim, preços mais elevados levaram algumas empresas a reduzir o consumo. Dados da Shanghai Metals Market indicam que a demanda do setor solar pode cair cerca de 17% neste ano, diante da substituição de materiais e da expectativa de desaceleração nas novas instalações.
Em relatório, o Bradesco BBI afirmou que o consumo de ouro deve permanecer robusto nos próximos anos, com bancos centrais diversificando reservas. Para a instituição, a combinação de dólar mais fraco e maior incerteza geopolítica tende a sustentar a demanda por ouro e prata, mantendo o momento positivo dos preços.
A disparada de ativos reais ocorre no contexto de debandada do dólar. A moeda americana registrou sua pior semana desde maio, pressionado por temores relacionados à condução da política externa e econômica dos EUA, especialmente após as tensões envolvendo a Groenlândia, e as investigações contra membros do Federal Reserve.
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Paulo Barros
Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)
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