A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) prevê uma retração significativa nas exportações de máquinas para os Estados Unidos a partir de setembro. Isso se deve às sobretaxas impostas pelo governo americano, que podem chegar a 50%. Em agosto, as tarifas extras de 40% sobre máquinas e equipamentos foram anunciadas pelo governo Trump, somando-se à taxa mínima de 10%.
De acordo com a Abimaq, os Estados Unidos representam cerca de 26% das exportações brasileiras de máquinas, equivalente a aproximadamente US$ 300 milhões mensais. A diretora da associação, Cristina Zanella, destaca que a perda de competitividade causada pela sobretaxa impactará diretamente as exportações para o mercado norte-americano.
Apesar das medidas do governo dos EUA para taxar produtos com aço e alumínio, a Abimaq não acredita em uma melhora significativa na competitividade dos produtos brasileiros. A associação ressalta que a concorrência com fornecedores americanos será desafiadora, mesmo com a possibilidade de alíquotas menores para produtos brasileiros sob a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial americana.
A diretora da Abimaq destaca que o Brasil terá uma das maiores sobretaxas anunciadas, competindo apenas com a Índia nesse aspecto. A análise da associação também aponta que, apesar da taxa menor em produtos específicos, concorrentes dos EUA, Canadá e México terão tarifa zero, o que dificulta ainda mais a competitividade do Brasil.
Para tentar minimizar os impactos do "tarifaço" dos EUA, o governo brasileiro anunciou medidas de auxílio, como o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra). Esse programa visa devolver parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva aos exportadores, aumentando o crédito tributário para empresas que exportarem para os EUA.
Além disso, o governo pretende antecipar os efeitos da reforma tributária, que entrará em vigor em 2027, desonerando a atividade exportadora ao território norte-americano. As novas condições tarifárias valerão até dezembro de 2026, buscando incentivar as exportações mesmo diante das tarifas adicionais dos EUA.
Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou linhas de financiamento para o desenvolvimento da Indústria 4.0. A Abimaq avalia que o impacto desse programa pode ser limitado, uma vez que a expectativa é de substituição de investimentos com taxas mais altas por outras mais baixas.
A associação destaca que, se houver apenas substituição de investimentos sem adição de novos recursos, o efeito geral pode não ser tão expressivo. Empresas que já planejavam investir com taxas mais altas poderão se beneficiar das taxas menores, mas o potencial de incremento nos investimentos pode ser reduzido.
No cenário nacional, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos apresentou um crescimento na receita líquida em julho. Com um total de R$ 26,716 bilhões, houve um aumento de 0,3% em relação a junho e de 7,3% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Já a receita líquida interna teve um aumento anual de 14,5%.
No comércio exterior, as exportações cresceram 20,7% em relação a junho, porém registraram uma queda de 4,8% comparado a julho de 2024. As importações também tiveram elevação, com um aumento de 8,6% na comparação anual. O setor fechou com um déficit na balança comercial de US$ 1,636 bilhão.
O segmento de máquinas e implementos agrícolas também teve um desempenho positivo em relação à receita líquida total, que cresceu 4,7% em relação ao mês anterior e 7,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita líquida interna apresentou um aumento significativo de 10,9% em relação a julho do ano passado.
No comércio exterior, as exportações de máquinas agrícolas tiveram uma retração de 7,7%, enquanto as importações caíram 13,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O setor registrou um crescimento acumulado de 5,5% nos últimos 12 meses.
Diante do cenário de tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, a indústria brasileira de máquinas avalia os impactos e busca alternativas para manter a competitividade no mercado internacional. As medidas do governo e o desempenho positivo do setor em julho são pontos relevantes a serem considerados em meio aos desafios enfrentados pelas exportações de máquinas tanto para os EUA quanto para outros destinos.
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