Ex-economista do IIF vê mais espaço para rali do real e projeta dólar a R$ 4,50
Robin Brooks afirma que “quase todas as moedas emergentes estão se valorizando contra o dólar, mas o Brasil está no topo da lista
Lara Rizério
Agências de notícias
27/02/2026 09h17 •
Atualizado 3 minutos atrás
Notas de real e dólar em imagem de ilustração18 de dezembro de 2024REUTERS/Amanda Perobelli
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O real brasileiro voltou ao centro das atenções no mercado de câmbio internacional. Em meio a um movimento generalizado de valorização das moedas emergentes frente ao dólar, a divisa do Brasil desponta como a de melhor desempenho em 2026, impulsionada tanto por fatores globais quanto por uma reprecificação de seus próprios fundamentos. A avaliação é de Robin Brooks, economista do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF), que mantém a projeção do dólar a R$ 4,50.
Em texto publicado na última quinta-feira (26), Brooks afirma que “quase todas as moedas emergentes estão se valorizando contra o dólar, mas o Brasil está no topo da lista”. O real sobe quase 7% frente à moeda americana no acumulado do ano, o que coloca o país como o destaque positivo entre os emergentes.
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Brooks relembra que o real já havia passado por um forte rali em 2022, logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Naquele momento, a valorização da moeda brasileira tinha um motor claro: os termos de troca, isto é, a melhora nas condições de comércio exterior de países exportadores de commodities.
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O dólar chegou a ser negociado perto de R$ 6,00 no fim de 2021, mas caiu para a faixa de R$ 4,50 em março de 2022. Esse patamar, observa Brooks, coincide com sua estimativa de “valor justo” (fair value) para a taxa de câmbio – nível no qual o real estaria compatível com seus fundamentos econômicos.
“Aquele movimento foi totalmente sobre termos de troca”, escreve o economista. “A invasão da Rússia à Ucrânia elevou os preços de commodities em geral, beneficiando uma potência agrícola e de commodities como o Brasil.”
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Agora, porém, a valorização do real não está sendo guiada por um choque de commodities, mas por uma tendência mais ampla de enfraquecimento global do dólar, associada a preocupações com a independência do Federal Reserve (Fed) e com uma deterioração institucional nas economias avançadas do G10.
Dólar fraco primeiro contra emergentes
Brooks chama atenção para o comportamento distinto do dólar frente às moedas desenvolvidas (G10) e emergentes. Ele compara um índice de dólar ponderado pelo comércio contra o G10 com o mesmo tipo de índice frente às moedas emergentes.
Segundo o economista, o “dólar emergente” tem mostrado um sinal mais claro e consistente de fraqueza, enquanto o índice contra moedas desenvolvidas é mais “errático e ruidoso”. Para ele, a perda de força do dólar frente às divisas emergentes funciona como um indicador antecedente da direção geral da moeda americana.
“O dólar contra emergentes atingiu ontem uma nova mínima pós-eleição. A apreciação do real faz parte disso”, resume.
Real ainda “barato” mesmo após rali
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Apesar da forte alta recente, Brooks argumenta que o real continua subvalorizado em relação ao seu valor de equilíbrio de longo prazo. Ele lembra que a moeda brasileira sofreu forte desvalorização com o choque da Covid-19 e, diferentemente de outros ativos, “nunca voltou” aos níveis pré-pandemia.
O economista também compara a trajetória da taxa de câmbio dólar/real com sua estimativa de fair value em R$ 4,50. A curva mostra o salto da cotação com o início da pandemia, seguido por uma recuperação parcial – insuficiente, contudo, para devolver o câmbio à região considerada justa pelo modelo do economista.
“O real permanece profundamente descontado em relação a onde estava antes da pandemia e não está muito claro por quê”, afirma. Essa percepção de “barateza” estaria, segundo ele, voltando ao radar dos investidores internacionais e ajudando a explicar por que a moeda brasileira tem superado o desempenho de outros pares emergentes neste ano.
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Para Brooks, o desempenho revela a combinação de dois vetores: um dólar estruturalmente mais fraco e um ativo que ainda negocia com desconto em relação aos seus fundamentos.
Essa leitura tende a manter o Brasil no foco de investidores globais em busca de retorno em mercados emergentes, em um momento em que o debate sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e o grau de independência do Fed adiciona volatilidade às projeções para o dólar.
Para Brooks, é “hora nobre” para o real brasileiro — e o mercado, avalia ele, começa a precificar isso.
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Lara Rizério
Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.
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