Uma nova pesquisa econômica apontou que as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril, no chamado "Dia da Libertação", representam um risco para o status do dólar como moeda de referência global. Porém, a possibilidade de redução dessas tarifas para valores mais amenos tende a manter a segurança do dólar nesse papel.
Segundo os autores do estudo, o vínculo entre o papel do dólar como ativo de baixo risco, que atrai investimentos para os EUA e possibilita empréstimos a taxas mais vantajosas, está fortemente ligado ao comércio aberto que conecta o destino de outras economias aos eventos nos Estados Unidos.
A pesquisa aponta que o protecionismo, como representado por uma tarifa de 26%, poderia enfraquecer essa conexão e, por consequência, os benefícios associados a ela, abrindo espaço para outras moedas concorrentes, como o euro, ganharem relevância na economia global.
As atuais taxas médias impostas, estimadas entre 17% e 18%, encontram-se em uma faixa que, segundo os pesquisadores, pode enfraquecer, mas não derrubar por completo, a posição do dólar como moeda de reserva dominante no mundo. A demanda pelo dólar como proteção contra riscos cambiais e financeiros é um dos fatores que contribuem para a sua posição privilegiada.
Os autores salientam que a característica de porto seguro do dólar é fundamental para a redução das taxas de juros nos EUA, tornando o país atraente para investimentos globais, além de alvo de estabilizações nas taxas de câmbio. No entanto, uma guerra comercial prolongada poderia colocar em risco esse equilíbrio.
A pesquisa foi divulgada durante uma conferência econômica da Brookings Institution e ocorre em meio a um maior debate sobre o papel do dólar no cenário global, especialmente diante das medidas tomadas pelo governo Trump.
Investidores e analistas estão atentos a sinais que possam indicar qualquer mudança nesse cenário, como a recente desvalorização do dólar, que, apesar de preocupante, foi acompanhada pela queda nos rendimentos dos Treasuries e por recordes nas bolsas, sugerindo uma demanda contínua pelos títulos baseados na moeda americana.
Embora atualmente o dólar mantenha sua posição, os pesquisadores alertam que esse cenário não é garantido, lembrando da reação dos mercados no ano passado diante dos planos originais de tarifas de Trump em abril. A manutenção do status do dólar como moeda segura dependerá, segundo os autores, da manutenção de um comércio relativamente aberto, que permite a conexão da economia americana com os fluxos globais de comércio.
Em resumo, as tarifas propostas pelos EUA têm o potencial de impactar o status do dólar, mas a manutenção de taxas mais moderadas pode preservar, ao menos por ora, a posição do dólar como moeda de reserva central no mundo.
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