Na sessão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) realizada nesta quarta-feira, a fusão entre as redes Petz e Cobasi foi aprovada pelos conselheiros do colegiado. A decisão, condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC), gerou debates entre os membros do tribunal.
O voto do conselheiro-relator, José Levi Mello do Amaral Jr., foi acompanhado pela maioria dos conselheiros, com exceção da conselheira Camila Cabral. Todos os conselheiros manifestaram preocupações em relação à operação, que foi aprovada nos termos do voto do relator.
A fusão entre Petz e Cobasi resultará em um negócio com faturamento combinado de cerca de R$ 7 bilhões. O acordo negociado entre as partes prevê um remédio de desinvestimento de ativos, principalmente concentrados em São Paulo, além de remédios comportamentais ainda não divulgados.
Durante a sessão, o conselheiro Victor Fernandes apresentou um voto escrito no qual expressou ressalvas em relação ao pacote de remédios estruturais proposto. Ele considerou que o acordo ficou aquém do necessário para endereçar as preocupações levantadas. Fernandes ainda destacou a importância de um remédio de desinvestimento para a aprovação da operação.
Por sua vez, o conselheiro Diogo Thomson discordou em grande parte da forma como o mercado relevante foi definido pela Superintendência-Geral. Ele enfatizou a importância da existência de potenciais compradores que possam aumentar a rivalidade no mercado.
A conselheira Camila Cabral não acompanhou o relator, apontando questões metodológicas nos estudos técnicos realizados pelo Departamento de Estudos Econômicos. Cabral enfatizou a similaridade estratégica entre as empresas e questionou a eficácia do acordo proposto.
O presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, expressou dúvidas em relação à unificação do mercado físico e digital. Ele ponderou que a operação seria aprovada sem restrições se ambos os mercados fossem considerados um só, mas como ainda estão separados, a implementação de um remédio se faz necessária.
Freitas destacou a importância de regras claras e isonômicas para a aquisição dos ativos desinvestidos, considerando que mais de uma empresa demonstrou interesse nessa compra.
Apesar da aprovação da fusão com a assinatura do ACC, os debates e preocupações manifestados pelos conselheiros ressaltam a complexidade do processo. A análise minuciosa dos impactos no mercado pet físico, bem como a garantia da concorrência e defesa do consumidor, ainda serão desafios a serem acompanhados de perto.
A divergência de opiniões entre os membros do Cade indica a importância de um acompanhamento contínuo da implementação do acordo e seus efeitos no mercado. O desafio de equilibrar a união de duas grandes redes com a manutenção da concorrência e variedade de opções para os consumidores certamente demandará monitoramento constante por parte do órgão regulador.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!