Na sexta-feira, às 9h30 (horário de Brasília), serão divulgados os dados do índice de preço ao consumidor (CPI) de setembro nos Estados Unidos. O cenário é marcado pelo shutdown do governo americano, que entra no 24º dia.
O Federal Reserve (Fed) enfrenta dificuldades, pois os dirigentes não têm acesso aos dados do ADP (dados privados de emprego) desde agosto, o que prejudica as referências econômicas. A paralisação do governo atrasou a divulgação do relatório de emprego de setembro.
Os analistas acreditam que, se a inflação surpreender para baixo, o dólar pode cair em relação ao real. Por outro lado, as Bolsas nos EUA podem registrar alta, apesar do aumento dos preços.
A expectativa é de uma leve alta no núcleo do CPI, com projeção de +0,25% em setembro, o que corresponde a uma taxa anual de 3,05%. Na categoria geral, espera-se um aumento de 0,33%, impulsionado por preços mais altos de alimentos e energia.
O Goldman Sachs projeta estabilidade nos preços de carros usados, aumento de 0,3% nos seguros de automóveis e queda de 1,5% nas tarifas aéreas em setembro. A empresa também prevê pressão de alta devido a tarifas em categorias como comunicação e recreação.
Para os próximos meses, o banco espera uma inflação mensal do núcleo CPI entre 0,2% e 0,3%, com inflação anual em torno de 3,1% em dezembro de 2025. Este cenário é condicionado também à redução das contribuições dos mercados de aluguel residencial e trabalho.
Os investidores nos EUA podem ignorar sinais de inflação persistente após a divulgação do CPI, devido ao otimismo em relação a um possível corte de juros pelo Fed na próxima semana. A mesa de operações do JPMorgan Chase prevê que o S&P 500 poderá avançar após a divulgação, mesmo diante de números elevados de inflação.
Um resultado em linha com as expectativas ou até mesmo mais baixo pode impulsionar o S&P 500 em até 1,5%, enquanto uma inflação núcleo elevada pode provocar queda de até 2,3%. O mercado está focado no esperado corte de juros pelo Fed, o que deve amenizar qualquer preocupação relacionada à inflação.
A alta das ações nos EUA tem enfrentado obstáculos, mesmo com o S&P 500 tendo subido 35% desde abril. A incerteza econômica e os resultados mistos das empresas americanas têm limitado o avanço do mercado acionário. O cenário de inflação pior que o esperado na sexta-feira pode complicar as perspectivas para novos cortes de juros no final do ano e em 2026.
Apesar da possível volatilidade gerada pelo CPI, a política monetária mais frouxa deve compensar esses movimentos. Os investidores são aconselhados a continuarem comprando ações de qualidade diante de um cenário de enfraquecimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
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