De acordo com o JPMorgan, a Natura (NATU3) está passando por um momento desafiador, com projeções de queda nas vendas que podem se estender até 2026, devido à concorrência acirrada no mercado, à perda de força da Avon e ao cenário econômico adverso.
Apesar da previsão de uma boa geração de caixa e de ações com valor relativamente baixo em comparação com outras marcas da região, o banco destaca que os desafios para o crescimento e a gestão instável representam obstáculos. Nesse contexto, o JPMorgan mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10,50 para a empresa, o que representa um potencial de alta de 12%.
A pressão sobre a Avon em mercados como Brasil, México e Argentina é apontada como um dos fatores que continuam a limitar o desempenho do grupo. Mesmo com ganhos de rentabilidade trazidos pela integração regional, conhecida como Onda 2, a situação ainda não foi suficiente para reverter a trajetória recente.
O JPMorgan prevê um fluxo de caixa livre com rendimento estimado em cerca de 12% em 2026, o que ajuda a mitigar riscos, embora o mercado ainda aguarde por sinais mais claros de recuperação. Dados da Euromonitor indicam que o mercado de higiene pessoal e cosméticos na América Latina deve ter um crescimento mais lento, influenciado por fatores como inflação e menor poder de compra.
Um dos pontos de atenção é a maturidade do canal de vendas diretas, que vem perdendo relevância diante da expansão do varejo físico e do comércio eletrônico. Mesmo com esforços da Natura para diversificar os canais de venda, o movimento ainda é gradual.
A companhia passa por um processo de simplificação desde 2022, com mudanças na gestão e a venda das marcas Aesop e The Body Shop, o que contribuiu para a redução de dívidas e a limpeza do balanço. A resolução do processo de falência da Avon nos EUA também encerrou riscos jurídicos, mas o aumento de custos e a pressão nas margens têm limitado a recuperação dos resultados.
Embora a Natura tenha um bom perfil de geração de caixa, o investidor é aconselhado a adotar uma postura cautelosa até que as receitas apresentem crescimento. A expectativa é que as vendas voltem a se recuperar e a acompanhar o ritmo do setor apenas no terceiro trimestre de 2026. O cenário macroeconômico, com a redução da taxa Selic, pode se tornar mais favorável nesse período.
A ação da Natura está sendo negociada a 8,7 vezes o lucro estimado para 2026 e a 7,5 vezes o de 2027, considerados múltiplos justos em comparação com varejistas brasileiras e com um desconto de 30% em relação a pares latino-americanos. O JPMorgan utiliza um múltiplo de 8,5 vezes o P/L esperado para 2027 em sua avaliação, destacando a importância de atualizar constantemente as estimativas do modelo.
Em resumo, a Natura enfrenta desafios significativos relacionados à queda nas vendas, pressão da concorrência e mudanças no cenário econômico e de consumo na América Latina. A empresa tem implementado estratégias para superar esses obstáculos, mas a recuperação plena ainda deve levar tempo, conforme apontam as projeções do JPMorgan.
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