Como possível fim da escala 6X1 afetaria as varejistas da Bolsa? XP traça projeções
Caso varejistas não consigam repassar o aumento de custos, a estimativa é de um impacto médio de 8–18% em Ebitda e lucro
Lara Rizério
19/02/2026 08h24 •
Atualizado 8 minutos atrás
Ativos mencionados na matéria
Consumidora no Centro de São Paulo (Foto: REUTERS/ Paulo Whitaker)
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O debate sobre a possível mudança da jornada de trabalho no Brasil — incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas — ganhou força em Brasília e é monitorada entre empresas e investidores.
Segundo análise da XP Investimentos, caso a proposta avance, o impacto financeiro para o setor varejista pode ser significativo, especialmente para companhias com margens mais apertadas.
O tema, tratado como prioridade pelo governo antes das eleições presidenciais, gira em torno de três eixos: i) encerramento da escala 6×1, com migração direta para o modelo 5×2; ii) redução da jornada semanal para 40 horas, possivelmente com período de transição e iii) manutenção dos salários atuais, sem compensações automáticas para empregadores.
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A proposta pode ser levada ao Congresso até maio, o que permitiria ao governo vinculá-la ao Dia do Trabalhador. Ainda não está definido se o trâmite ocorrerá por projeto de lei ou por emenda constitucional (PEC). O Congresso tende a defender a PEC, por permitir maior tempo de discussão, enquanto setores do governo temem falta de votos e uma janela curta para aprovação.
Embora parte do varejo tenha começado a testar a escala 5×2 – caso de RD Saúde (RADL3), Panvel (PNVL3) e GPA (PCAR3) – a redução para 40 horas semanais demandaria a contratação de mais funcionários ou pagamento de horas extras, elevando custos em um setor conhecido por operar com grande volume de mão de obra.
Mesmo que um período de transição venha a ser incorporado ao texto final, Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas que assinam o relatório, apontam que o repasse integral desses custos ao consumidor seria difícil em um ambiente de alta competição e demanda ainda pressionada.
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Impactos diferentes entre as empresas
As estimativas da XP são de que, caso os varejistas enfrentem um aumento de 10% nos custos trabalhistas e não consigam repassar esses valores aos preços, o efeito médio seria: de queda de 8% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), e redução de até 18% no lucro líquido.
O impacto varia bastante entre as empresas. Grupos com forte presença internacional — como Smart Fit (SMFT3) e Mercado Livre (BDR: MELI34) — ou com margens operacionais mais robustas, caso de Vivara (VIVA3), Track&Field (TFCO4), Vulcabras (VULC3) e Lojas Renner (LREN3), devem sofrer menos.
Por outro lado, varejistas de setores como alimentação e farmacêutico, que operam com margens historicamente mais baixas e dependem intensamente de mão de obra, podem enfrentar pressão mais intensa, especialmente aquelas com maior nível de alavancagem.
Paralelamente, parte do Congresso tem defendido a renovação da desoneração da folha de pagamentos para atenuar o impacto da nova regra. Mas, segundo fontes consultadas pela XP, o governo não demonstra apoio à medida — o que amplia a incerteza sobre o custo final para as empresas.
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Lara Rizério
Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.
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