China quer “derrubar todo mundo”, diz secretário do Tesouro dos EUA
Em entrevista ao Financial Times, Scott Bessent afirmou que a China tenta prejudicar a economia mundial ao restringir exportações de minerais críticos e sancionar empresas ligadas aos EUA
Paulo Barros
14/10/2025 06h51 •
Atualizado 8 minutos atrás
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA (REUTERS/Kevin Lamarque)
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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou a China de tentar enfraquecer deliberadamente a economia global com as recentes restrições à exportação de minerais críticos e sanções contra empresas ligadas aos EUA. Em entrevista publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira (13), Bessent afirmou que as medidas refletem a fragilidade da economia chinesa e uma tentativa de “exportar sua recessão”.
“Este é um sinal de como a economia deles está fraca, e eles querem derrubar todo mundo junto”, disse o secretário. “Talvez exista algum modelo de negócios leninista em que prejudicar seus clientes faça sentido, mas são eles os maiores fornecedores do mundo. Se quiserem desacelerar a economia global, serão os mais afetados”, acrescentou.
A fala ocorre após Pequim impor sanções a cinco subsidiárias americanas da sul-coreana Hanwha Ocean, acusadas de apoiar investigações do governo dos EUA sobre o setor naval chinês. A decisão ampliou a tensão entre os dois países, que já vinham trocando medidas de retaliação em áreas estratégicas como semicondutores, navegação e energia.
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Bessent afirmou ao FT que as ações da China mostram uma disputa interna entre órgãos do governo, especialmente entre os ministérios das Finanças e do Comércio. Segundo ele, o endurecimento seria liderado por “linha-dura” do Ministério do Comércio e pela segurança estatal, que “assumiram papel muito maior na economia”.
O chefe do Tesouro americano afirmou ainda que a estratégia chinesa pode sair pela culatra: “Eles estão tentando exportar sua crise, mas estão agravando sua própria posição no mundo.”
A escalada ocorre a poucas semanas da reunião entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, marcada para o fim de outubro na Coreia do Sul. Fontes ouvidas pelo FT disseram que Washington prepara contramedidas caso não haja acordo, incluindo novas exigências para exportações de softwares à China.
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O endurecimento de Pequim sobre as exportações de terras raras, insumos usados em tecnologia, defesa e energia limpa, também provocou fortes reações no mercado. Ações de mineradoras americanas de minerais críticos dispararam no pré-mercado desta terça-feira (14), com altas de até 38%, enquanto futuros do S&P 500 e do Nasdaq recuavam diante da piora do clima comercial.
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Paulo Barros
Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)
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