O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, destacou a questão do "excesso de crédito" no agronegócio, que resultou em uma acumulação de terras em vez de investimentos. Essa situação contribuiu para o aumento do risco de inadimplência no setor.
No terceiro trimestre deste ano, o lucro líquido contábil da Caixa atingiu R$ 3,8 bilhões, representando um incremento de 15,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior e de 50,3% em relação a setembro do ano anterior.
A carteira de crédito do agronegócio alcançou R$ 61,8 bilhões em setembro, mostrando um aumento de 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Vieira observou que esse crescimento foi expressivo nos últimos anos, levando ao aumento da inadimplência no setor, o que se tornou um ponto de atenção para a gestão da instituição.
O índice de inadimplência geral da Caixa subiu de 2,66% em junho para 3,01% em setembro, ainda abaixo da média de mercado que passou de 3,79% para 4,12%. O agronegócio foi o principal responsável pelo aumento, saltando de 7,02% para 11,20% no mesmo período.
Com o aumento da inadimplência, o índice de provisão do agro também subiu, passando de 6,8% em junho para 9% em setembro. Os créditos considerados mais seguros diminuíram de R$ 55 bilhões para R$ 53 bilhões, enquanto os mais problemáticos cresceram de R$ 6 bilhões para R$ 8 bilhões.
Vieira destacou que a Caixa está adotando medidas para lidar com a inadimplência, como chamar os devedores para discutir as causas das dívidas. Serão separados os devedores com problemas climáticos ou de safra daqueles que demonstraram quebra de confiança na relação.
Segundo o presidente da Caixa, a instituição será "dura" com os devedores que não cumpriram com suas obrigações de forma consciente. Ele enfatizou a importância de entender as raízes das dívidas para auxiliar na recuperação dos devedores em situações adversas.
Vieira ressaltou que houve um processo de acumulação de terras e expansão de fronteiras no setor agropecuário, resultando em uma mudança de foco de investimento para acúmulo de terras. Ele mencionou a estabilização da carteira de concessões de crédito para o agronegócio e a implementação de "novas condicionantes" com base nas experiências adquiridas ao longo dos anos.
Para o próximo ano, a Caixa planeja revisar as condições de crédito no agronegócio, com a proposta de manter a relação com o setor de forma mais madura e alinhada às necessidades do mercado. A instituição visa aprimorar suas estratégias e mitigar os riscos de inadimplência no segmento.
Diante do aumento da inadimplência no setor agropecuário, a Caixa Econômica Federal está atenta às condições do mercado e planeja ajustar sua política de concessão de crédito. Com foco na recuperação dos devedores em situações adversas e na adoção de medidas mais rigorosas para os inadimplentes, a instituição busca garantir a sustentabilidade de suas operações e a qualidade de sua carteira de crédito no agronegócio.
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