O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o banco apresenta uma carteira de crédito de alta qualidade e não projeta aumento da inadimplência até o final do ano. No entanto, destacou que o apetite a risco permanece moderado, mesmo com a busca por oportunidades e crescimento em modalidades de crédito consideradas favoráveis.
No terceiro trimestre, a carteira de crédito expandida do Bradesco atingiu R$ 1,034 trilhão, com um aumento significativo de 9,6% em relação ao ano anterior. Os segmentos que se destacaram foram micro, pequenas e médias empresas (24,8%) e pessoas físicas (13,8%), enquanto grandes empresas registraram uma queda de 3,5%.
O banco não identifica risco de crédito para grandes empresas, ressaltando que os casos são pontuais. Também não demonstra preocupação em relação ao crédito para o agronegócio, apesar de mencionar que pode haver algumas instabilidades temporárias no financiamento de equipamentos. Noronha enfatizou a atenção para a elevada taxa de juros no país, afirmando que isso pode impactar setores e empresas com margens operacionais apertadas.
No terceiro trimestre, o Bradesco registrou um aumento no lucro líquido recorrente de 18,8%, atingindo R$ 6,2 bilhões. O custo do crédito aumentou 20,1% em relação ao ano anterior e 5,1% no trimestre, devido ao reforço de provisão para casos específicos no atacado e Banco John Deere, ligado ao agronegócio.
A empresa mantém suas previsões para o ano, que incluem expectativa de crescimento da carteira de crédito expandida de 4% a 8% e margem financeira líquida entre R$ 37 bilhões a R$ 41 bilhões. Noronha afirmou que, em sua maioria, o desempenho das métricas deve ficar no topo do guidance da empresa.
Apesar do lucro em linha com as expectativas, as ações do Bradesco recuaram mais de 4% na bolsa paulista, liderando as perdas entre os bancos do Ibovespa. Analistas do BTG Pactual afirmaram que as expectativas em relação ao banco estavam possivelmente elevadas. Eles ressaltaram que, diante do atual cenário de taxas de juros elevadas e baixa inadimplência, os bancos brasileiros têm apresentado boa rentabilidade.
Embora permaneçam cautelosos em relação às perspectivas de médio e longo prazo do Bradesco, os analistas também enxergam potencial de valorização para as ações da empresa nos próximos 6 a 12 meses. O banco tem se concentrado em clientes de alta renda, afastando-se do segmento de baixa renda, e tem buscado oportunidades de empréstimos com garantias do governo, o que pode impactar seus retornos de forma sustentável.
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