Bolsa já subiu demais? A “virada de chave” que pode impulsionar ainda mais o Ibovespa

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Investidor local segue com baixa exposição a ações locais - mas cenário pode estar prestes a mudar

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Lara Rizério

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28/01/2026 13h00 •

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Atualizado 15 minutos atrás

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Enquanto o Ibovespa renova máximas históricas e chega a bater os 185 mil pontos impulsionado por fluxo estrangeiro, o investidor local segue com a menor exposição a ações em anos — e isso pode ser justamente o combustível para uma nova pernada de alta. Essa é a avaliação do Morgan Stanley, que manteve recomendação overweight (acima da média) para o Brasil dentro da América Latina.

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Segundo o banco, fundos de ações domésticas representam hoje cerca de 4% da indústria de fundos, menos da metade da média histórica e um terço do pico observado na série. “Os investidores locais estão, em grande medida, ‘pegos vendidos’ neste rali”, escrevem os estrategistas.

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Cabe ressaltar que os resgates dos fundos locais têm sido persistentes sendo que, somente em 2025, os resgates líquidos dos fundos de ações locais totalizaram R$ 63 bilhões. Embora os fundos de ações continuem registrando resgates líquidos no início de 2026 (cerca de R$ 2,1 bilhões no acumulado do ano), o ritmo das saídas está mais moderado.

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O Morgan vê o mercado doméstico segue como o preferido na região latino-americana, com espaço para que o Ibovespa caminhe rumo a um cenário de bull case em torno de 240 mil pontos, com retorno potencial adicional da ordem de 20% no médio prazo.

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Fluxo estrangeiro domina… por enquantoDesde o início de 2025, a alta da Bolsa tem sido puxada principalmente por investidores internacionais. O Morgan Stanley estima que estrangeiros aportaram cerca de R$ 27 bilhões em ações brasileiras em 2025, com forte concentração no segundo trimestre.

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Só nas primeiras semanas de 2026, o fluxo já soma R$ 16 bilhões, perto de metade de tudo o que entrou no ano anterior.

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Entre os dez maiores mercados do índice MSCI de emergentes, o Brasil foi o que registrou maior expansão de múltiplo em 2026 até agora, com alta de 11%, frente a apenas 1% no agregado de emergentes.

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Contudo, mesmo após a disparada recente, o Morgan Stanley argumenta que o mercado segue relativamente barato: as ações brasileiras negociam a cerca de 10,4 vezes o lucro esperado, um desconto em relação aos demais emergentes (0,8 vez a média de EM, contra 0,9 vez históricos e pico de 1,2 vez).

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A casa usa uma leitura de “curva de oferta” de ações: quando os valuations estão muito baixos, a oferta de novas ações (IPOs, follow-ons) praticamente some, o que torna a curva quase vertical. É justamente onde o Brasil estaria hoje. Nesse trecho, qualquer choque de demanda tende a produzir uma alta desproporcional de preços.

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A partir de múltiplos próximos de 12 vezes lucro, o banco espera ver mais emissões, o que aliviaria a restrição de oferta — nível que coincide com o preço‑alvo base da instituição para 2026.

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Um dos gatilhos para esse choque de demanda, segundo o Morgan Stanley, é o início do ciclo de cortes da Selic, que o banco espera para março.

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Os estrategistas acreditam que a queda da Selic de 15% para 13,5% até meados de 2026 poderia gerar US$ 6 bilhões em novos recursos para fundos de ações locais.

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Se a taxa recuar para 11,5% até o fim de 2026, o volume adicional pode chegar a US$ 14 bilhões no ano.

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Considerando que a indústria de fundos soma R$ 10,7 trilhões, um aumento de apenas 1 ponto percentual na fatia de ações significaria um fluxo extra da ordem de R$ 100 bilhões para a Bolsa.

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Eleição e reprecificação do risco BrasilA equipe de estrategistas também destaca o papel das eleições de 2026. As pesquisas ainda mostram um cenário em aberto, com o atual presidente Lula competitivo no primeiro e segundo turnos, mas com o senador Flávio Bolsonaro reduzindo a distância em levantamentos recentes.

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Mais do que nomes, o foco do mercado está na possível mudança de rumo fiscal. “Agendas econômicas mais ortodoxas tendem a atrair investimento e provocar expansão de múltiplos”, afirma o banco. Um ajuste de curso poderia reduzir o prêmio de risco do país e acelerar o movimento de realocação de renda fixa para ações — algo que o Morgan Stanley vê como peça central de um possível bull market multianual em toda a América Latina.

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Risco e oportunidadeO Morgan Stanley pondera que, apesar do tom construtivo, o cenário está longe de ser isento de riscos: a Bolsa já subiu cerca de 60% desde o início de 2025, a posição de estrangeiros está em máximas históricas e o quadro político ainda é frágil.

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Mesmo assim, a combinação de Bolsa ainda descontada, cortes de juros no horizonte,

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Investidor local pouco posicionado em ações e Possível mudança de regime de política econômica faz do Brasil, nas palavras do banco, o mercado preferido da América Latina,. Isso com espaço para que o Ibovespa caminhe rumo a um cenário de bull case em torno de 240 mil pontos, com retorno potencial adicional da ordem de 20% no médio prazo.

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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