Bitcoin se descolou do ouro pela liquidez e natureza da desdolarização, diz gestora
A criptomoeda ainda não funciona como proteção imediata em choques do tipo geopolítico, defende 21Shares
Paulo Barros
02/02/2026 14h02 •
Atualizado 31 minutos atrás
(Foto: kanchanara/Unsplash)
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A recente liquidação do ouro expôs mais uma vez uma diferença importante entre o metal e o Bitcoin (BTC), apontado por entusiastas como uma alternativa digital nascente de refúgio em tempos de crise. Enquanto o ouro praticamente dobrou de preço em um ano, a criptomoeda amarga quedas consecutivas desde outubro, renovando uma sequência negativa vista pela última vez em 2019.
Para analistas, no entanto, o movimento não foi contraditório: ele reflete o tipo de choque que domina o mercado hoje e a forma como cada ativo ainda é tratado pelos investidores.
“A desdolarização está se expressando por meio do ouro, não do Bitcoin, porque o choque dominante agora é geopolítico e fiscal, e não puramente monetário”, avalia o analista Karim Abdelmawla, da gestora suíça 21Shares. “Em ambientes assim, o capital historicamente migra primeiro para ativos com um papel de proteção já estabelecido.”
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Segundo ele, o ouro se beneficia de fatores que pesam em momentos de estresse, como aceitação universal, participação relevante de bancos centrais e menor incerteza regulatória. Mesmo com a correção recente do metal, a gestora avalia que isso não invalida sua função defensiva no curto prazo.
Já o Bitcoin, na avaliação da 21Shares, ainda não funciona como proteção imediata em choques desse tipo. Quando a incerteza aumenta, investidores institucionais tendem a reduzir exposição aos ativos mais líquidos, e o Bitcoin entra nesse grupo.
“Na prática, o Bitcoin ainda é tratado como um ativo líquido de risco em momentos de estresse. Ele acaba sendo vendido junto com ações, não acumulado de forma defensiva”, afirmou Abdelmawla.
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Esse comportamento ficou evidente no fim de janeiro, quando a criptomoeda caiu enquanto o ouro subia e passou a recuar ainda mais após a forte liquidação do metal na sexta-feira, em um movimento mais amplo de redução de risco.
Outro ponto destacado pela 21Shares é que o avanço institucional do Bitcoin ainda não foi suficiente para mudar seu comportamento em momentos de estresse. Embora o ativo seja cada vez mais negociado por fundos e veículos regulados, ele segue sendo tratado como uma posição de risco quando a volatilidade aumenta.
Para a casa, isso explica por que o BTC é frequentemente vendido para gerar liquidez, enquanto o ouro é mantido ou ampliado em carteiras defensivas.
A gestora também ressalta que juros elevados e retornos atrativos em instrumentos de curto prazo continuam funcionando como um freio adicional para o Bitcoin. Em um cenário em que investidores conseguem obter rendimento real com baixa volatilidade fora do mercado cripto, a disposição para carregar um ativo volátil e sem geração de caixa tende a diminuir.
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Paulo Barros
Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)
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