Bitcoin pode entrar em ‘espiral da morte’, alerta gestor que previu crise de 2008

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Michel Burry, que foi retratado no filme 'A Grande Aposta', defende que perdas adicionais podem forçar vendas e afetar mineradores de criptomoedas, criando um efeito cascata

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Paulo Barros

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04/02/2026 14h23 •

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Atualizado 56 segundos atrás

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Michael Burry (Foto: Divulgação/Regency Enterprises)

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O investidor Michael Burry, conhecido por apostar contra o mercado imobiliário dos Estados Unidos antes da crise de 2008, afirmou que a queda recente do Bitcoin (BTC) pode evoluir para uma “espiral da morte”, com efeitos em cascata sobre empresas que acumularam o ativo em seus balanços.

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Em um texto publicado na segunda-feira (2) em sua conta no Substack, Burry disse que o Bitcoin, que já caiu cerca de 40% desde o pico registrado em outubro, ficou exposto como um ativo “puramente especulativo”, sem conseguir se firmar como proteção contra a desvalorização cambial, a exemplo de metais preciosos.

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Apostas a respeito e uma “espiral da morte” fazem parte da curta história do Bitcoin, sempre que a criptomoeda entra em períodos de baixa. No entanto, dessa vez, alega Burry, o risco é real.

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Segundo ele, novas quedas podem pressionar rapidamente os balanços de grandes detentores, forçar vendas em todo o ecossistema cripto e provocar destruição relevante de valor. “Cenários preocupantes agora entraram no campo do possível”, escreveu. De acordo com Burry, uma queda adicional de 10% deixaria a Strategy, maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo, com prejuízos de bilhões de dólares e com acesso praticamente fechado aos mercados de capitais.

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O cofundador Michael Saylor afirmou que a Strategy não enfrenta estresse financeiro imediato, não está sujeita a chamadas de margem e não espera ser forçada a vender Bitcoin. A companhia levantou US$ 2,25 bilhões em caixa com vendas de ações, suficientes para cobrir juros e dividendos por mais de dois anos. Ainda assim, diz Burry, a margem de manobra vem diminuindo sem uma recuperação do Bitcoin ou nova demanda por ações da empresa.

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O alerta foi feito após o Bitcoin recuar abaixo de US$ 73 mil na terça-feira, atingindo o menor nível desde que o presidente Donald Trump voltou à Casa Branca, há pouco mais de um ano. Analistas têm citado, entre os fatores para a queda, a redução de fluxos para o ativo, piora da liquidez e perda de apelo macroeconômico.

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Burry afirmou ainda que o Bitcoin deixou de responder a gatilhos tradicionais, como fraqueza do dólar ou aumento do risco geopolítico, ao contrário do ouro e da prata, que atingiram recordes recentes. “Não há um motivo de uso orgânico que leve o Bitcoin a desacelerar ou interromper sua queda”, escreveu.

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O investidor avaliou que a adoção do ativo por tesourarias corporativas e o lançamento de ETFs à vista não são suficientes para sustentar o preço indefinidamente. Segundo ele, quase 200 empresas de capital aberto detêm BTC, mas esses ativos precisam ser marcados a mercado. Caso a queda continue, gestores de risco podem recomendar vendas.

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Burry também afirmou que os ETFs, que registraram fortes resgates no fim do ano, ampliaram o caráter especulativo do Bitcoin e aumentaram sua correlação com o mercado acionário, aumentando a margem para mais liquidações.

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Apesar do alerta, Burry afirmou que o tamanho atual do mercado cripto, em torno de US$ 1,5 trilhão e com baixa exposição em carteiras institucionais, ainda é insuficiente para provocar contágio amplo.

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Burry afirmou ainda que a queda do Bitcoin já estaria afetando outros mercados. Ele atribuiu parte do recente recuo do ouro e da prata à necessidade de redução de risco por parte de tesoureiros corporativos e especuladores, que venderam posições lucrativas em futuros tokenizados desses metais. Segundo ele, esses instrumentos não são lastreados em metais físicos e podem amplificar movimentos de liquidação.

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“Parece que até US$ 1 bilhão em metais preciosos foi liquidado no fim do mês como resultado da queda dos preços das criptos”, escreveu. Para Burry, caso o Bitcoin caia para US$ 50 mil, mineradores podem entrar em falência, enquanto os tokens de futuros de metais “colapsariam em um buraco negro sem comprador”.

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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