Bitcoin encontrou fundo após despencar para US$ 60 mil? Mercado faz apostas

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Indicadores e histórico apontam para a possibilidade de o nível de US$ 60 mil ter sido um fundo de mercado para a criptomoeda - ao menos se não surgir uma nova FTX

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Paulo Barros

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09/02/2026 16h15 •

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Atualizado 37 minutos atrás

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Gráfico de preço do Bitcoin na primeira semana de fevereiro de 2026 (Foto: Reprodução: CoinGecko)

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O Bitcoin (BTC) mergulhou forte na semana passada e voltou a subir desde então, dando algum sinal de sobrevida. Após tocar a região de US$ 60 mil na última sexta-feira (6), a moeda digital recuperou parte do terreno e é negociada ao redor de US$ 70 mil nesta segunda (9). O que o mercado discute agora é se a criptomoeda tocou o fundo – e, para alguns participantes, há evidências de que sim.

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“Quando o preço cai muito rápido, sempre tem uma posição grande no limite. Alguém acaba sendo forçado a vender, o que gera uma liquidação violenta. Na quinta e na sexta-feira, vimos volumes recordes e uma velocidade também recorde. Esse é um setup clássico de fundo”, avalia Alexandre Vasarhelyi, gestor de portfólio da B2V Crypto.

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No jargão do mercado financeiro, o fundo é uma região de preço que concentra uma mínima num ciclo de queda de um determinado ativo. No caso do Bitcoin, significaria que, talvez, ele passe a subir a partir daqui.

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Leia mais: Nouriel Houbini – Criptomoedas sem ilusões: volatilidade extrema, lobby e perigo sistêmico

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Essa é a visão também da casa de trading Galaxy Digital. Ela descreve a queda recente como parte de um processo de desalavancagem, com liquidações concentradas em derivativos e um “vazio” de liquidez em determinadas faixas de preço, o que amplia os movimentos no curto prazo. Segundo a gestora, a queda acumulada em relação ao pico de US4 126 mil em outubro de 2025, que chegou a passar de 50%, é de magnitude historicamente compatível com zonas de fundo.

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“Embora ainda não tenhamos evidências concretas de que a acumulação esteja criando um fundo firme, a redução nas vendas por parte dos investidores de longo prazo sugere maior confiança nesses investidores a esses preços”, escreveu Alex Thorn, head de research da Galaxy, em relatório.

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Dados de mercado reforçam a leitura de estresse concentrado no curto prazo. Análise do Mercado Bitcoin aponta que, durante o pior momento da queda, houve 5,6 vezes mais investidores comprando do que vendendo Bitcoin, justamente no auge do movimento de baixa. Para Fabrício Tota, vice-presidente de Negócios Cripto da empresa, o comportamento reflete a natureza emocional do mercado. “Embora sejam tecnologias, os preços ainda refletem o comportamento das pessoas”, afirmou.

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Vasarhelyi ressalta que quedas da ordem de 50% são recorrentes na história do Bitcoin. “A gente já viu movimentos muito piores. Já houve ciclos com perdas acima de 80% e, em todos eles, depois vieram novas máximas”, disse. Para ele, o principal contraste em relação ao passado está na maturidade do mercado. “Hoje, em vez de ouvir ‘Bitcoin morreu’, recebo ligações perguntando se é hora de comprar.”

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Indicadores de sentimento ajudam a explicar essa dualidade entre pânico e oportunidade. O Índice de Ganância e Medo do Bitcoin, que mede o humor do mercado cripto, chegou a 5 pontos em uma escala de 0 a 100, no fim da semana passada, sinalizando medo extremo. Historicamente, níveis tão baixos não determinam o fundo exato, mas costumam aparecer próximos a zonas de exaustão vendedora, especialmente para investidores com horizonte mais longo.

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Risco de queda maior persisteO pano de fundo macro ajuda a explicar a turbulência recente. O mercado global passa por um período de reavaliação de risco, com juros mais altos em economias centrais e movimentos bruscos em ações de tecnologia e metais preciosos. Mas a influência sobre uma possível queda maior pode estar no ambiente mais micro.

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Para o gestor da B2V, a ausência de um novo choque de crédito é crucial. Em 2022, a quebra da FTX provocou uma segunda perna de queda depois de uma correção inicial de cerca de 50%. “Se não houver um evento desse tipo, é perfeitamente plausível que os US$ 60 mil tenham sido o fundo”, disse. “Nada estrutural quebrou desta vez. Pelo contrário: tivemos volumes recordes e nenhuma grande infraestrutura saiu do ar.”

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A Strategy, maior detentora de Bitcoin do mundo, amarga uma perda de quase 60% nas ações ordinárias em na janela de 12 meses, mas já reafirmou que seguirá comprando a criptomoeda. Mas, ao contrário de antes, o momento não indica que mais companhias seguirão seu caminho por enquanto, diminuindo os possíveis gatilhos de curto prazo.

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Enquanto isso, Wall Street observa a criptomoeda de perto após não ter acompanhado o rali do ouro. Estrategistas do JPMorgan chamaram atenção para um dado incomum: a volatilidade do Bitcoin em relação ao metal caiu para níveis historicamente baixos. Na visão do banco, isso pode tornar o criptoativo “mais atraente no longo prazo em bases ajustadas ao risco”, ainda que o cenário de curto prazo siga marcado por incerteza.

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Para Vasarhelyi, o critério central para a decisão de investimento ainda deve ser o longo prazo. “O investidor deve se questionar: ‘o Bitcoin e os criptoativos serão mais usados daqui a dez anos do que hoje?’ Se a resposta for sim, não ter isso na carteira é um erro de alocação”, pondera, citando o potencial de uma tecnologia nascente.

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“Quando agentes de inteligência artificial começarem a movimentar dinheiro, você acha que eles vão abrir conta em banco ou vão usar criptoativos?”, questiona.

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Paulo Barros

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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