Bitcoin cai com tarifas e pode atingir menor nível em 2 anos, dizem analistas

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Movimento marcado por resgates de ETFs acompanha incerteza comercial nos EUA, tensão com o Irã; enquanto isso, Strategy faz sua centésima compra

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Paulo Barros

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23/02/2026 12h58 •

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Atualizado 1 minuto atrás

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O Bitcoin (BTC) voltou a oscilar com força nesta segunda-feira (23), após cair mais de 5% durante a madrugada e tocar US$ 64 mil, antes de recuperar parte das perdas e retornar à faixa de US$ 66 mil. O movimento ocorre em meio à retomada das incertezas sobre tarifas nos Estados Unidos e à escalada das tensões envolvendo o Irã.

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A criptomoeda chegou a US$ 64.270 pouco depois das 21h de ontem, e se recuperou para cerca de US$ 66.300 no fim da manhã desta segunda, em linha com a volatilidade observada nos futuros do S&P 500. O ouro subiu na abertura dos mercados e renovou máximas recentes, acima de US$ 5.100, refletindo a busca por proteção.

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A turbulência ganhou força após a Suprema Corte dos EUA barrar as chamadas “tarifas recíprocas” impostas no ano passado por Donald Trump. Horas depois, o presidente americano anunciou novas tarifas globais de até 15% por 150 dias, o que reforçou a percepção de incerteza comercial.

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No mercado de derivativos, operadores passaram a buscar proteção contra quedas do Bitcoin. Desde sexta-feira, opções de venda com preços de exercício em US$ 58 mil, US$ 60 mil e US$ 62 mil registraram aumento relevante no número de contratos em aberto na Deribit. Esses instrumentos permitem que traders vendam o ativo pelo valor atual caso o preço caia para essas faixas, em troca de um prêmio.

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Durante o fim de semana, dados de blockchain também apontaram movimentação de grandes volumes de Bitcoin por um investidor de grande porte para uma exchange, o que alimentou especulações sobre venda e ampliou a volatilidade.

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Criptomoedas menores foram mais pressionadas em um ambiente de liquidez reduzida. Solana e SUI recuaram entre 7% e 8% antes de reagirem nas horas seguintes. Segundo a CoinGlass, houve cerca de US$ 270 milhões em liquidações nas chamadas altcoins.

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Queda até US$ 53 mil?Para Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, o movimento reforça o ambiente de aversão a risco. “Os volumes do dia mostram atividade relevante, mas no acumulado semanal permanece uma dinâmica predominante de vendas. Isso reforça a leitura de que o mercado atravessa um momento de medo elevado”, afirmou. Ele acrescenta que o Bitcoin perdeu um suporte na região de US$ 66.700 e, caso a pressão continue, pode buscar a faixa de US$ 61 mil, o menor valor desde outubro de 2024.

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Já para a analista técnica e trader Ana de Mattos, o movimento pode ser mais profundo. ELa sinaliza que, dado o sentimento de “medo extremo” no mercado, o Bitcoin pode testar regiões de liquidez em US$ 60 mil e US$ 53 mil, o que seria o patamar mais baixo desde fevereiro de 2024. Em caso de recuperação, por outro lado, ela aponta que as resistências estão atualmente em US$ 72 mil e US$ 75.500.

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O que observar agoraOs fluxos em ETFs também seguem no radar. Na última semana, os fundos de Bitcoin registraram a quinta sequência de saídas líquidas, acumulando cerca de US$ 315 milhões negativos, apesar de uma entrada pontual de US$ 88 milhões na sexta-feira. Dados mais recentes indicam compras irregulares, reagindo às notícias, sem manutenção de demanda consistente.

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Enquanto isso, a Strategy, maior empresa listada com reservas em Bitcoin, anunciou a compra de mais 592 BTC na semana passada, por US$ 39,8 milhões, ao preço médio de US$ 67.286 por unidade. Com isso, a companhia passou a deter 717.722 BTC, adquiridos por US$ 54,56 bilhões, a um preço médio de US$ 76.020 por moeda.

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Com o Bitcoin negociado a cerca de US$ 66 mil, a posição representa perda não realizada de cerca de US$ 10 mil por unidade, ou aproximadamente US$ 7 bilhões no total. As ações da empresa recuavam 2,33% às 10h40, acumulando queda de quase 55% em 12 meses.

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Além das tarifas, investidores monitoram a temporada de balanços, incluindo os resultados da Nvidia na próxima quarta-feira, e a evolução do preço do petróleo diante do risco de escalada militar no Oriente Médio.

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Paulo Barros

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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