O Bitcoin voltou a ser negociado a US$ 101.595, após tentar se recuperar no início da semana. A criptomoeda apresenta uma queda de 1,5% em 24 horas e cerca de 17% no mês, tornando essa possivelmente sua pior semana desde março.
Essa baixa acompanha uma perda de aproximadamente US$ 300 bilhões em valor de mercado no universo das criptomoedas, refletindo um período de liquidações em massa e redução do apetite por risco no mercado. O cenário se agravou com o shutdown nos Estados Unidos e a postura mais cautelosa do Federal Reserve.
De acordo com Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, o Bitcoin mantém um suporte significativo em torno de US$ 100 mil. Entretanto, o ambiente permanece cauteloso, com a tendência de curto prazo enfraquecida devido à perda de força compradora e ao aumento do medo entre os investidores.
A perda de referências técnicas sinaliza uma fase decisiva, com o Bitcoin caindo abaixo de sua média móvel de 365 dias, um indicador que vinha sustentando o ciclo de alta desde 2023. A empresa de análise CryptoQuant alerta que, se o ativo não recuperar os US$ 102 mil rapidamente, a correção pode se aprofundar.
Por sua vez, a Galaxy Digital revisou sua projeção de preço para o fim de 2025, reduzindo de US$ 185 mil para US$ 120 mil, devido aos impactos da destruição significativa de alavancagem observada no mercado em outubro.
A análise técnica mostra um quadro misto, com a trader Ana de Mattos apontando uma oscilação do Bitcoin entre US$ 98.944 e US$ 104.600, podendo definir os próximos movimentos com resistências em US$ 106.700 e US$ 112.500, e suporte em US$ 95 mil.
O Ethereum, cotado a US$ 3.288, perdeu força após testar o suporte em US$ 3,9 mil, mantendo uma faixa de sustentação entre US$ 3,3 mil e US$ 3,5 mil. Abaixo disso, o risco de queda é apontado por Demaman até US$ 2,8 mil.
Apesar dos desafios, alguns analistas, como Samir Kerbage da Hashdex, destacam que a volatilidade faz parte do mercado e que a disciplina do investidor pode transformar oscilações em oportunidades de lucro.
Os próximos dias serão cruciais para determinar se o Bitcoin conseguirá se manter acima do suporte de US$ 100 mil ou se romperá essa barreira, podendo levar a quedas até US$ 93 mil ou além.
Além da análise técnica, fatores macroeconômicos como o fim do shutdown nos EUA, decisões do Federal Reserve e as tarifas de Donald Trump também influenciam o mercado e a percepção de risco global.
Historicamente, correções semelhantes foram seguidas por recuperações expressivas, conforme aponta Demaman. O Mercado Bitcoin registra um aumento no número de compradores líquidos, sugerindo que parte dos investidores enxerga oportunidade neste momento de queda.
Existe um debate sobre a possibilidade de o padrão histórico do Bitcoin estar mudando, com a trajetória de alta explosiva seguida por correções intensas e recuperações lentas podendo não se repetir desta vez.
A gestora 21Shares argumenta que, dezoito meses após o halving de abril de 2024, o Bitcoin mantém preços elevados, com menor volatilidade e sem o pico eufórico característico de ciclos anteriores. A presença de novos investidores institucionais tende a reduzir a volatilidade causada pela especulação de varejo.
Com mudanças estruturais no mercado, a 21Shares prevê um ciclo mais longo, com altas graduais e sustentáveis, podendo alcançar um pico em 2026. A gestora destaca que, com quase 94% dos Bitcoins já minerados, o impacto da oferta sobre o preço diminuiu, enquanto influências macroeconômicas ganham mais destaque.
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