Bitcoin afunda pelo 5º mês seguido e testa paciência do investidor; fundo chegou?

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Sequência de quedas já se aproxima da observada entre o fim de 2018 e começo de 2019, quando a criptomoeda caiu por seis meses seguidos

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Paulo Barros

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27/02/2026 15h38 •

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Atualizado 6 minutos atrás

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(Foto: engin akyurt/Unsplash)

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O Bitcoin (BTC) está terminando fevereiro como começou o ano: pressionado. A queda no mês gira em torno de 17%, praticamente um déjà vu de novembro, quando o recuo foi de 17,5%, no quinto mês seguido no vermelho – uma sequência que muda o humor até do investidor mais convicto.

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Nos últimos dias, houve reação depois de o preço encostar na faixa dos US$ 62 mil. Ainda assim, o ativo segue cerca de 48% abaixo do topo histórico de US$ 126 mil, alcançado em outubro de 2025. No acumulado de 2026, a baixa já chega a 25%.

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A tentativa de recuperação perdeu tração junto com a queda das bolsas americanas, enquanto o ouro avançava com o aumento dos riscos macroeconômicos e a apreensão por um possível ataque dos EUA ao Irã. Mas o mercado encara como um sintoma natural do amadurecimento do ativo.

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“As criptomoedas não são mais um mercado de nicho, mas uma peça central do ecossistema financeiro global focado na inovação”, defende Fabio Plein, diretor da Coinbase no Brasil. Segundo ele, o mercado está deixando para trás a volatilidade puramente especulativa e entrando em uma fase “fundamentada na utilidade”.

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“Inverno” termina quando?A tentação imediata é falar em novo bear market clássico. A última vez em que o Bitcoin caiu por tantos meses seguidos foi na virada de 2018 para 2019, quando emendou seis meses no vermelho. Mas analistas afastam a comparação entre os dois períodos.

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Para Maximiliaan Michielsen, analista sênior da 21Shares, o que está acontecendo agora é “uma reprecificação macroeconômica e um reset de alavancagem, não uma deterioração dos fundamentos de longo prazo do Bitcoin”.

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Ele lembra que, em ciclos anteriores, o Bitcoin chegou a cair 80% do topo, com volatilidade anual acima de 100%. Hoje, a queda gira em torno de 45% desde o pico, com volatilidade próxima de 40%.

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“A magnitude e o perfil de volatilidade são materialmente menores”, afirma. A leitura é de um mercado mais maduro, com mais liquidez e presença institucional. Isso não impede a dor no curto prazo, mas muda a natureza da crise, defende o especialista.

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Fevereiro foi de fato um ajuste de contas para quem estava alavancado demais. Segundo a 21Shares, houve cerca de US$ 1,4 bilhão em liquidações de posições compradas e uma redução relevante no interesse aberto em futuros.

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“O excesso especulativo foi eliminado”, diz Michielsen. Ou seja, menos combustível para quedas em cascata no curtíssimo prazo.

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Próximo do fundoO mercado acredita que o fundo do Bitcoin esteja próximo da zona atual. Mas, ao mesmo tempo, cresce a busca por proteção abaixo da região dos US$ 60 mil, como mostram dados citados da Deribit, a maior corretora de derivativos de ativos digitais do mundo.

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Nos ETFs, houve saída de recursos, mas nada que lembre debandada. De acordo com Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, desde novembro foram retirados cerca de US$ 7,8 bilhões de um total de US$ 61,6 bilhões, algo perto de 12%.

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Ele faz uma distinção importante: “Existe uma base maior, mais estratégica, e um capital mais sensível às quedas e ao medo, que reage mais rápido”. Em momentos de tensão, explica, é esse dinheiro mais reativo que sai primeiro.

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Szuster lembra ainda que ciclos de baixa anteriores duraram entre 12 e 13 meses. E pondera que, estatisticamente, o mercado pode estar entrando na fase em que “estamos na zona onde os melhores preços médios costumam ser construídos”.

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Para Marcelo Person, crypto treasury & markets director da Foxbit, o fluxo nos ETFs continua sendo um dos principais indicadores de sentimento de que o interesse pelo ativo permanece. “Março tende a confirmar se o movimento iniciado no primeiro trimestre terá continuidade”, aponta, sinalizando possível recuperação do ativo.

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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