Banco Pleno: de comprado e separado do Master até a liquidação pelo BC 

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Ex-Voiter passou por mudanças de nome, controle e estratégia antes de liquidação extrajudicial

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Paulo Barros

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18/02/2026 07h32 •

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Atualizado 6 minutos atrás

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Banco Pleno (Foto: Divulgação)

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O Banco Pleno teve uma trajetória marcada por reestruturações sucessivas, mudanças de controle e tentativas frustradas de reposicionamento antes de ter sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil, nesta quarta-feira (18). 

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A instituição teve origem no Banco Indusval, com foco em crédito corporativo e financiamento ao agronegócio. Após enfrentar dificuldades operacionais e resultados pressionados, passou por diferentes rearranjos societários até adotar, em 2019, o nome Banco Voiter, em um movimento que buscava reposicionar o banco como uma instituição mais enxuta e com maior ênfase em soluções digitais. A estratégia, no entanto, não conseguiu estabilizar a operação. 

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Em 2023, o Voiter chegou a ser alvo de uma proposta de aquisição da Capital Consig, que não avançou. No início de 2024, a instituição acabou sendo incorporada ao conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A permanência foi curta e marcada por incertezas regulatórias. Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência do controle do banco para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, operação que deu origem ao Banco Pleno. 

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Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ex-VoiterInstituição controlada por ex-sócio do Banco Master enfrentava restrições e pressão de liquidez

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A autorização do regulador ocorreu com condicionantes. Entre elas, a exigência de um plano concreto para lidar com uma eventual crise de liquidez. Ainda assim, o banco manteve uma estrutura fortemente dependente de captação via depósitos a prazo, especialmente CDBs, como principal fonte de financiamento. 

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Dados do Banco Central indicam que o Banco Pleno operava, em setembro, com um passivo de cerca de R$ 6,8 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5,2 bilhões estavam concentrados em CDBs, além de cerca de R$ 760 milhões em letras financeiras. A partir de restrições impostas pelo BC à emissão de novos títulos, a capacidade de rolar essa dívida foi reduzida, ampliando a pressão sobre o caixa. 

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Com o aumento da percepção de risco, os papéis do banco passaram a ser negociados no mercado secundário a taxas muito superiores ao CDI, sinalizando vendas forçadas por investidores e perda de confiança.  

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Augusto Lima e a aposta no consignado 

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Ao assumir o controle, Augusto Ferreira Lima buscou reposicionar o Banco Pleno com foco no crédito consignado, apoiado na operação do Credcesta, cartão de benefício com atuação em dezenas de municípios e considerado o principal ativo do grupo. A estratégia previa crescimento da carteira e maior previsibilidade de receitas, mas dependia diretamente da continuidade da captação no mercado. 

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Paralelamente, o nome de Lima passou a ganhar maior exposição após sua prisão na operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A prisão foi posteriormente revogada. O Banco Pleno sempre afirmou não ser alvo de investigações e que operava dentro da legislação vigente. 

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Diante do cenário adverso, o banco passou a buscar um comprador. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as negociações envolviam a possibilidade de um negócio casado com o Credcesta e a necessidade de aportes bilionários para estabilizar a instituição. As conversas não avançaram e não houve anúncio de investidor. 

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Com a combinação de restrições regulatórias, dificuldade de captação, estrutura de passivos pressionada e deterioração da confiança do mercado, o Banco Central decidiu decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno nesta quarta.

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Paulo Barros

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Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)

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