Na sessão desta segunda-feira (8), as ações da Azul e da Gol apresentaram desempenho extraordinário, surpreendendo os investidores. Os papéis da Azul registraram alta de 31,30%, atingindo R$ 1,51, enquanto as ações da Gol dispararam 17,6%, chegando a R$ 7,10, mesmo em um cenário com fundamentos desfavoráveis para o setor.
O estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, destacou que fatores como a elevação do preço do petróleo, a desvalorização do câmbio e o aumento das curvas de juros não justificam completamente a valorização das ações no pregão. Ele levantou a possibilidade de o movimento ser resultado de um short squeeze ou de uma grande alocação de fundo nas companhias aéreas.
O short squeeze ocorre quando há um grande número de ações alugadas e investidores precisam recomprá-las à medida que os preços sobem, impulsionando ainda mais a valorização. Esse movimento pode ser potencializado por um cenário otimista na bolsa, como explicou o planejador financeiro Jhonatas Deodato.
De acordo com Deodato, as expectativas de cortes nos juros nos Estados Unidos podem ter aumentado o apetite por risco no mercado, contribuindo para o impulso no Ibovespa. Esses fatores teriam colaborado para o efeito do short squeeze e influenciado a disparada das ações das empresas.
Tanto a Azul quanto a Gol têm apresentado desempenho positivo ao longo do mês de setembro. A Azul registrou altas expressivas nos dias 1º de setembro, na quinta-feira (4) e na sexta-feira (5), acumulando aumento nas últimas sessões.
No entanto, no comparativo anual, as ações da Azul apresentam queda de 62,90% em 12 meses e de 58,52% de janeiro até o momento em 2025. Já a Gol, que estreou em 12 de junho, acumula alta de 32% nos últimos meses.
A última notícia relevante que poderia impactar os papéis das companhias foi a notificação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre o acordo de codeshare entre Gol e Azul, anunciado no ano anterior. O CADE informou que o acordo precisa ser notificado em até 30 dias para análise, sob risco de ser considerado como "gun jumping" até maio de 2026.
Tradicionalmente, os acordos de prazo definido de codeshare não necessitam ser notificados ao Cade, por envolverem empresas locais e internacionais. No entanto, o acordo entre Gol e Azul, de prazo indeterminado e envolvendo duas grandes empresas nacionais, foi uma exceção.
O movimento surpreendente das ações da Azul e da Gol, em detrimento dos fundamentos desfavoráveis para o setor, levanta questões sobre o impacto de fatores imprevistos, como o short squeeze e as expectativas de cortes nos juros nos EUA. A notificação do CADE sobre o acordo de codeshare entre as companhias mantém a atenção dos investidores sobre o desempenho futuro dessas empresas no mercado acionário. Enquanto isso, os investidores aguardam para ver se as altas recentes se sustentarão ao longo do tempo ou se haverá correções no curto prazo.
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