O governo argentino permitiu, de forma inesperada, a desvalorização do peso esta semana, adotando medidas para evitar uma possível fuga em massa da moeda e o aumento da inflação. Após gastos significativos para sustentar a moeda nas últimas semanas, o Tesouro reduziu as vendas de dólares, permitindo que o peso se aproximasse do limite superior de sua banda cambial.
Enquanto o Tesouro se afastava do mercado, o banco central interveio vendendo contratos de recompra overnight para absorver parte do capital utilizado pelos investidores na compra de dólares. Além disso, retomou as vendas de contratos futuros de dólar para manter a estabilidade do peso.
Apesar das medidas adotadas até o momento, as autoridades argentinas estão ficando com poucas opções de intervenção. O peso já teve queda de 4% na segunda-feira e continuou em declínio ao longo da semana, próximo do limite superior da banda cambial estabelecida pelo governo. As reservas em dólares do Tesouro estão em níveis baixos, assim como as operações do banco central com contratos futuros de dólar.
Segundo dados, os contratos futuros do banco central somam cerca de US$ 6 bilhões, perto do limite regulatório de US$ 9 bilhões. Enquanto os depósitos em moeda estrangeira do Tesouro estão abaixo de US$ 1,1 bilhão, limitando sua capacidade de intervenção no mercado.
Com a proximidade do limite da banda cambial estabelecida e das reservas em dólares escassas, o peso continuou sob pressão na sexta-feira, chegando a 1.446 pesos por dólar, próximo do limite atual.
Apostas no cenário eleitoral
Investidores estão atentos ao cenário político na Argentina, especialmente diante das eleições legislativas de meio de mandato em outubro. Há a preocupação de que uma possível mudança no governo comprometa as tentativas de reforma econômica do país.
Após a derrota nas eleições locais na província de Buenos Aires, o presidente Milei prometeu corrigir erros políticos e estabilizar a economia, mas a incerteza ainda paira sobre o cenário financeiro argentino. A instabilidade política e econômica tem refletido na volatilidade do peso e nos títulos soberanos do país.
A estratégia adotada pelo governo para conter a desvalorização do peso tem sido observada de perto pelos investidores, que aguardam novas movimentações até as eleições de outubro. A incerteza quanto às próximas medidas e à estabilidade econômica mantém o mercado financeiro argentino em alerta.
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