Após tombo por conflito com Irã, Bradesco BBI segue confiante com a Bolsa brasileira

Após tombo por conflito com Irã, Bradesco BBI segue confiante com a Bolsa brasileira

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Bradesco BBI aposta em retomada do fluxo estrangeiro, fim dos resgates locais e destaca ações sensíveis a juros, estatais, fintechs “órfãs de ETF” e small caps como principais ganhadoras potenciais

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Lara Rizério

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04/03/2026 08h18 •

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Atualizado 14 minutos atrás

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Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel

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A sensação entre investidores locais mudou — e o Bradesco BBI capturou isso de perto. Após uma rodada de reuniões com gestores brasileiros, o banco voltou mais confiante com o mercado doméstico, destacando que, em momentos de forte volatilidade global, como a registrada após o conflito no Irã desta semana, “a história favorece os corajosos”.

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A queda recente de 5% do MSCI Brazil, maior do que a média observada em 25 grandes eventos geopolíticos desde 1990, abriu, segundo a instituição, uma assimetria rara. O Ibovespa caiu 3,28% apenas na terça, a maior baixa do ano, com a aversão a risco desencadeada pela escalada do conflito no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que vinham de um rali sustentado por estrangeiros.

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O Brasil, na avaliação do BBI, desponta como um mercado que pode registrar alta. O país combina diversos fatores que o colocam em posição singular: é relativamente protegido dos principais conflitos globais; é beneficiário líquido de preços de petróleo mais altos; possui o carregamento de juros mais elevado do mundo, que sustenta o real; e ainda conta com investidores globais fora de posição, com espaço para aumentar exposição caso o cenário vire a favor.

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Fluxos estrangeiros devem ganhar tração

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Segundo o banco, os estrangeiros continuam pouco alocados em emergentes, e esse fluxo represado tende a se mover para o Brasil à medida que o ciclo de cortes de juros avança.

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Além disso, o custo de capital percebido por investidores internacionais é menor, tornando o valuation atual mais atrativo do que parece.

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Essa retomada do apetite externo, afirma o relatório, não deve vir apenas por meio dos grandes ETFs (fundos de índice), mas também via gestores ativos e locais, reforçando um movimento de diversificação das alocações.

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Investidor local começa a voltar — e esse pode ser o gatilho

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O BBI chama atenção para um ponto considerado decisivo: os resgates dos fundos locais estão desacelerando, reduzindo a pressão vendedora que marcou parte de 2025. Esse alívio poderia funcionar como um gatilho de “melt‑up”, quando preços sobem rapidamente por recomposição de portfólios e corrida por performance.

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Os gestores brasileiros, de acordo com o banco, contudo, continuam excessivamente defensivos, mesmo com o início do ciclo de cortes de juros, melhora gradual no humor político e expectativa de novos fluxos.

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Nesse contexto, o BBI amplia sua lista de chances de alta. Entre os alvos preferidos estão: ações sensíveis a juros, historicamente penalizadas; estatais (SoEs), que possuem catalisadores próximos; fintechs “órfãs de ETF”, que sofreram com a saída de capital passivo e small e mid caps, negociando com descontos relevantes.

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Preço volta a falar mais alto

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Apesar da proximidade eleitoral, que gera volatilidade, o BBI afirma que preços mais fortes empurraram preocupações políticas para segundo plano, especialmente com a disputa presidencial se estreitando e reduzindo cenários extremos. Para o banco, o mercado está novamente deixando que “os preços conduzam a narrativa”.

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Para o BBI, muitos gestores demonstraram apetite elevado por posições internacionais, mas enfrentam frustrações: a Argentina, apesar da recomendação de overweight (exposição acima da média) do banco, sofre com baixa liquidez; o Chile, também overweight, segue com valuations atrativos, porém com pouca convicção em catalisadores e o México continua em compasso de espera, com eventos estruturais demorando a se materializar.

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Desempenho do mercado após eventos geopolíticos e outros eventos globais importantes:

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EventoDataBrasil 1M (MXBR)Brasil 3M (MXBR)EUA 1M (S&P 500)EUA 3M (S&P 500)Invasão do Kuwait02/08/1990-21,1%-51,3%-8,2%-13,5%Quebra do Barings Bank16/09/1992-4,4%17,4%3,0%3,0%Atentado WTC (1º)26/02/19932,8%15,0%1,7%2,0%Crise Financeira Asiática01/08/1997-26,2%-23,5%-3,6%3,9%Ataque ao USS Cole no Iêmen12/10/2000-9,2%1,4%-2,7%-0,9%Atentados de 11 de Setembro11/09/2001-3,6%-8,6%-3,1%1,9%Guerra do Iraque20/03/200316,1%43,2%0,8%8,7%Atentados de Madri11/03/2004-7,8%-12,0%3,5%2,7%Atentados de Londres07/07/20058,9%4,5%3,3%1,6%Quebra do Bear Stearns14/03/20086,4%12,4%3,6%5,6%Quebra do Lehman Brothers15/09/2008-38,8%-39,3%-16,3%-26,2%Atentado na Maratona de Boston15/04/20132,1%-17,7%6,5%4,3%Anexação da Crimeia (Rússia)28/02/20145,0%16,9%1,0%4,2%BREXIT24/06/201615,9%21,2%6,5%6,2%Bombardeio à Síria07/04/20172,7%10,3%1,1%3,1%Crise de Mísseis com a Coreia do Norte28/07/20176,7%10,3%-1,1%3,6%Ataque de drone à Saudi Aramco14/09/2019-0,4%6,7%1,7%5,6%Morte de Soleimani03/01/2020-6,8%-54,4%-0,1%-23,1%Retirada dos EUA do Afeganistão30/08/2021-14,3%-23,4%2,8%4,8%Invasão da Ucrânia pela Rússia24/02/202215,2%17,7%5,9%-7,1%Ataques do Hamas a Israel07/10/20238,6%12,4%-1,6%2,7%Ataque de Israel ao Irã (abril 2024)13/04/20241,4%-5,0%0,6%3,5%Tarifas do “US Liberation Day”02/04/20251,9%10,5%-0,5%1,0%Bombas dos EUA no Irã Nuclear22/06/2025-1,9%10,9%1,0%7,7%EUA removem Maduro13/07/202617,9%?0,9%?Ataques dos EUA ao Irã (até agora)31/07/2026-5,3%?-1,5%?Médias (desde 1990)

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Brasil (MXBR): 1M = -0,5% | 3M = -0,7%

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EUA (S&P 500): 1M = 0,5% | 3M = 1,4%

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Medianas

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Brasil (MXBR): 1M = 2,1% | 3M = 8,4%

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EUA (S&P 500): 1M = 1,7% | 3M = 2,9%

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Lara Rizério

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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