Desde outubro, as ações da Ambev (ABEV3) têm superado o Ibovespa em cerca de 6%, com alta de 16% em comparação com o avanço de 10% em aproximadamente 2 meses. A XP Investimentos destaca essa tendência, atribuindo-a à especulação sobre dividendos extraordinários em meio aos anúncios de proventos feitos por empresas antes das mudanças na reforma tributária.
A XP Investimentos acredita que a Ambev continuará apresentando um desempenho superior ao Ibovespa. No entanto, apesar da alta recente, os fundamentos do mercado não indicam melhorias significativas. O múltiplo de preço sobre lucro (P/L) atingiu 15,9 vezes para 2026, levando a casa a reiterar a recomendação de venda.
De acordo com os analistas, a produção de bebidas alcoólicas teve uma queda de 1,3% em outubro, mas ficou acima das expectativas em 4,1%. A XP projeta uma contração de mercado de 3,7% ao ano para o fechamento de 2025, resultando em uma redução no consumo per capita para 4,4 litros por habitante.
A questão central, segundo a XP Investimentos, é se a desaceleração na queda da produção reflete uma melhora genuína no consumo ou se está relacionada a um ambiente competitivo mais desafiador, com as empresas antecipando vendas antes do final do ano.
O Goldman Sachs segue a mesma linha de pensamento da XP, recomendando a venda das ações da Ambev com um preço-alvo de R$ 1,95, 24% abaixo do fechamento anterior. Os analistas ressaltam os desafios estruturais do setor, com a produção de bebidas alcoólicas tendo caído 4% nos últimos 12 meses.
Além disso, o Goldman destaca que a inflação da cerveja está 60 pontos-base acima do valor nominal, com a Ambev adotando uma postura mais promocional e reduzindo os preços médios em 2% trimestralmente no último trimestre. A demanda fraca, a inflação de custos persistente e a ampliação da oferta pelas concorrentes contribuem para a recomendação de venda das ações.
Apesar disso, tanto a XP Investimentos quanto o Goldman Sachs alertam para possíveis riscos de alta no curto prazo até dezembro, devido à alocação de capital e anúncios de dividendos extraordinários em antecipação a mudanças tributárias no Brasil. Empresas como Itaú e AXIA já anunciaram proventos extras nesse sentido.
Em resumo, a Ambev tem apresentado um desempenho superior ao mercado nos últimos meses, mas analistas mantêm uma postura cautelosa devido aos desafios estruturais do setor e à incerteza sobre mudanças tributárias e impactos no consumo.
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