O Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento (FCNA) alertou o governo federal sobre os impactos da tarifa de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. De acordo com um relatório obtido pela Folha de S. Paulo, o país poderá enfrentar perdas de US$ 40,4 bilhões em um ano, o que acarretaria em uma redução de 1,8 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB), diminuindo a projeção de crescimento de 3,2% para 1,3% este ano.
O documento indica que a indústria de transformação seria a mais prejudicada, podendo apresentar uma retração de até 5,6 pontos percentuais. Por outro lado, a agropecuária e a indústria extrativa teriam capacidade de redirecionar commodities para outros mercados, o que minimizaria os impactos.
Além disso, o relatório aponta uma possível queda de até 2% na arrecadação federal e estima a perda de 179 mil empregos em seis meses, podendo chegar a 287 mil em três anos, caso não sejam adotadas medidas de estímulo ao consumo interno.
Para reduzir os impactos negativos, o FCNA sugere ações como antecipar a vigência da cesta básica nacional com isenção total de tributos, acelerar cortes na taxa Selic, ampliar o crédito produtivo, desonerar e simplificar contratações formais, além de criar um programa emergencial para os setores mais afetados, com refinanciamento de dívidas e compra pública de excedentes.
Apesar das projeções negativas apresentadas pelo setor, a tarifa imposta pelos Estados Unidos não alterou significativamente as expectativas do mercado financeiro. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a previsão para o IPCA de 2024 caiu de 5,09% para 5,07%, mantendo a décima queda consecutiva, enquanto as projeções para o PIB deste ano permanecem em 2,23% nas últimas quatro semanas.
O relatório foi encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a oito ministros, assinado por entidades como Abras, Abad, Abag, Abia, Abic, Abipla, Abir, ABPA, Abralatas, Abralog, Abramilho, Abre, Andav, ANR e CropLife Brasil. A união coordenada dessas medidas sugeridas pelo FCNA é vista como uma forma de neutralizar grande parte dos efeitos recessivos previstos.
Diante desse cenário, é essencial que o governo implemente medidas eficazes e rápidas para mitigar os impactos econômicos causados pela tarifa dos EUA, de modo a garantir a estabilidade e o crescimento do país no cenário internacional.
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