Operações de Carry Trade em Mercados Emergentes impulsionam otimismo para 2026
Grandes investidores apostam que as operações de carry trade em mercados emergentes continuarão a ser uma fonte de retorno em 2026. Com a redução da volatilidade nos mercados cambiais e a desvalorização do dólar americano, a estratégia tem se mostrado favorável. Um índice da Bloomberg para essa prática registrou um retorno de cerca de 17% em 2025, o maior ganho desde 2009.
Diversos gestores de ativos e bancos, como Vanguard Group Inc., Invesco Ltd., Goldman Sachs Group Inc. e Bank of America Corp., acreditam que a diferença entre as taxas de juros nos mercados desenvolvidos e emergentes permanecerá em 2026. Com isso, a pressão sobre o dólar americano deve persistir, visto que a moeda perdeu mais de 7% ao longo do ano passado.
A estratégia de carry trade continua a oferecer valor, especialmente em países com altos rendimentos, como Brasil, Colômbia e alguns mercados africanos. No entanto, após um ano de desempenho sólido, as oportunidades estão se tornando mais seletivas para os investidores.
Países como Brasil e Colômbia viram suas moedas se valorizarem mais de 13% em relação ao dólar em 2025, devido às taxas de juros elevadas. Moedas do Leste Europeu, como a República Tcheca, Hungria e Polônia, também tiveram ganhos expressivos. A dinâmica da economia dos Estados Unidos será fundamental para determinar a continuidade desse desempenho no futuro.
A perspectiva de um dólar americano em desvalorização mantém o carry trade como uma fonte de retorno atrativa para investidores. Wim Vandenhoeck, co-chefe de dívida de mercados emergentes da Invesco, destaca o potencial do real brasileiro, lira turca e rand sul-africano, entre outras moedas.
Os investidores também se preocupam com a volatilidade das moedas, pois movimentos bruscos podem anular ganhos. Atualmente, as expectativas de oscilações são baixas, com um indicador da JPMorgan indicando níveis próximos aos mais baixos em cinco anos. No entanto, alguns participantes do mercado temem uma recuperação repentina nesse cenário.
Estrategistas de câmbio do Bank of America apontam para fatores que podem aumentar as oscilações cambiais, como as eleições de meio de mandato nos EUA e divergências nas políticas de taxas de juros dos bancos centrais. A incerteza geopolítica e econômica pode influenciar diretamente as operações de carry trade nos próximos meses.