Engie planeja transferência de participação na usina Jirau
A Engie anunciou a formação de um comitê para avaliar a transferência de 40% da participação de sua controladora na usina hidrelétrica Jirau para a própria empresa. A iniciativa visa explorar diferentes estruturas de transação, incluindo a possibilidade de troca de ações. Este movimento impulsionou as ações da companhia elétrica, que registraram alta de 0,92%.
XP Investimentos e estimativa do valor da Jirau
A XP Investimentos destacou que o mercado já aguardava essa movimentação, considerando que a usina Jirau reduziu incertezas operacionais e financeiras, passando a gerar fluxo de caixa positivo. Com base em um custo de capital de 10%, a XP estima o valor da Jirau em cerca de R$ 13,7 bilhões até o final de 2025. Isso poderia resultar em uma potencial oferta de direitos aos acionistas minoritários de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
Análise do Morgan Stanley e possíveis impactos
O Morgan Stanley avalia que a possível transição pode trazer efeitos positivos para a Engie, como o fortalecimento da plataforma hidrelétrica da empresa. No entanto, o banco ressalta que, dependendo da avaliação do ativo e da estrutura da transação, pode ser necessária uma captação de recursos via emissão de ações para preservar o perfil de crédito da companhia.
Projeções do Itaú BBA e cenários possíveis
O Itaú BBA estima o valor da participação de 40% na UHE Jirau em cerca de R$ 4,6 bilhões. O banco também prevê um múltiplo EV/EBITDA de aproximadamente 9,6 vezes para 2025. O JPMorgan considera três cenários possíveis para a transação, incluindo troca de ações com captação primária de recursos, aquisição via pagamento em dinheiro e transferência exclusiva por troca de ações.
Recomendações e perspectivas futuras
A XP Investimentos mantém recomendação neutra para a Engie, destacando a estratégia de crescimento seletivo da empresa. Enquanto isso, o Morgan Stanley reitera a classificação underweight e o JPMorgan mantém a recomendação de venda para as ações. As projeções indicam um período de continuidade de payouts e yields menores, enquanto a Engie busca expandir suas operações no setor de transmissão.
Essa movimentação da Engie reacende o debate sobre diluição e alavancagem no mercado, trazendo novas perspectivas para a empresa e seus acionistas minoritários. O desfecho da transferência da participação na usina Jirau terá impactos significativos na estrutura financeira e estratégica da companhia no setor elétrico brasileiro.